Início Distrito Federal Secretário admite que obras estão em segundo plano diante das dificuldades

Secretário admite que obras estão em segundo plano diante das dificuldades

20150925005451Em entrevista ao Jornal de Brasília, o secretário de Infraestrutura disse ainda que o maior erro dos últimos governos foi não ter controlado as ocupações irregulares na região.

Mesmo com as dificuldades financeiras no GDF, o secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Júlio Cesar Peres, garante que a atual gestão do Buriti tem feito esforços para investir nas áreas mais carentes do DF. Além disso, destacou, o Aterro Sanitário de Samambaia tem data marcada para começar a funcionar: até o final de agosto do ano que vem. Depois disso, disse, acontece “o fechamento imediato do Lixão da Estrutural, com o trabalho de recuperação do local”. Outro destaque da Secretaria de Infraestrutura, afirmou, são as obras em parceria com a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), que deverão trazer tranquilidade, em termos de abastecimento de água, para os próximos 15 anos. Em entrevista ao Jornal de Brasília, o secretário de Infraestrutura disse ainda que o maior erro dos últimos governos foi não ter controlado as ocupações irregulares na região. Por isso, agora, a atual gestão tenta reverter o cenário, investindo em obras estruturantes.

Como é gerir a pasta de Infraestrutura neste momento de crise financeira no GDF? 

Realmente nós temos a crise local. A gente não tem dinheiro na fonte de governo, que seria a fonte 100, e isso realmente é uma preocupação grande. Muitas obras que precisariam ter fonte de recursos do governo, a gente não está conseguindo fazer nada, pois   o dinheiro é zero. Por isso, agora, estamos nos valendo de outros recursos. Por exemplo, a Terracap. Na própria parte da cultura, no Centro de Dança,  no Centro Renato Russo, a gente está fazendo convênios com a  Terracap para que ela possa levar dinheiro e  a gente possa tocar essas obras.  Tivemos também, em fevereiro, a assinatura no Banco do Brasil, de um financiamento de R$ 500 milhões. Ele atende a  duas secretarias: de Mobilidade, com o  DER, e a Secretaria de Infraestrutura, com a Novacap  e a Caesb. Foram R$ 260 milhões liberados a partir de fevereiro. Com isso, pudemos pagar coisas de seis meses para trás. O que deu um alívio para as empresas com pagamento pendente  no  GDF. E deu a possibilidade de a gente tocar algumas obras já dentro do financiamento do Banco do Brasil. Esperamos, agora, prestar contas no final de outubro e, a partir de novembro, a gente assinaria a segunda etapa do financiamento do BB, de R$ 240 milhões.

E o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)? 

Sim, ainda tem o dinheiro do PAC Mobilidade e PAC Moradia. Nós temos, por exemplo, um eixo muito importante, que é o Eixo Oeste. Ele sai da Praça do Buriti, passa pelo SIG, vai encontrar com a EPTG, chegando no alargamento dos túneis, nos dois viadutos que chegam a Taguatinga, e depois um mergulho no viaduto do que será o túnel de Taguatinga, que é uma obra licitada, em fase de homologação, e vai acabar lá no Sol Nascente. Esse dinheiro de PAC está colaborando para que a gente possa colocar outras obras em andamento. Temos aí o PAC Mobilidade, o PAC Pavimentação, que envolve   Vicente Pires, Bernardo Sayão, Buritizinho. Dessa forma, a gente está conseguindo colocar a máquina para andar. Principalmente em áreas muito carentes, como o Pôr do Sol e o  Sol Nascente, que a gente quer levar água, esgoto, drenagem, pavimentação, meio-fio e calçada.

Essas são as prioridades? 

Sem dúvida alguma. Eu chamo de obras estruturantes. São os pilares do governo. O Eixo Oeste, por exemplo, é importantíssimo, com faixas exclusivas, tudo. Enquanto que a pasta de Mobilidade tem a saída Norte, que sai da Ponte do Bragueto e vai até Sobradinho. Acho que podemos destacar também um importante serviço do SLU, que é o Aterro Sanitário de Samambaia. A obra   está na fase de terraplanagem. A pavimentação interna está pronta. Estão sendo licitadas agora as edificações e a ligação do aterro com a BR. Isso vai possibilitar  fechar o Lixão da Estrutural a partir do   segundo semestre do ano que vem. Isso é um dos pilares mais fortes quanto à responsabilidade ambiental.

E o aterro fica pronto quando? 

A programação é que o aterro comece a operar já no final de agosto de 2016. Aí, teria o fechamento imediato do lixão da Estrutural, com o trabalho de recuperação do local.

E quais as outras obras destaque da pasta? 

Não  podemos esquecer ainda do importante trabalho da Caesb, que  está fazendo a preparação de Brasília para os próximos anos. Já está na praça algo em torno de R$ 370 milhões de licitação, também de recursos externos. E essas captações seriam do Paranoá, onde será feito o tratamento que sai em dois braços: um no sentido Norte, no Itapoã, Paranoá, até Sobradinho, e outra atendendo a São Sebastião, na parte dos condomínios e também o Mangueiral. Temos também a  estação de tratamento que está sendo feita juntamente com a Saneago, de Goiás, com 50% de cada um. Aí, nós trataremos  a água do Corumbá para atender regiões importantes de Brasília, como Santa Maria, Recanto das Emas, Gama e Novo Gama.

No meio deste ano, o governador Rollemberg anunciou um pacote com 52 obras ao custo de R$ 5 bilhões. Há risco de alguma dessas obras não ir  para frente devido ao rombo nos cofres do GDF?

Risco existe. Hoje, se tivéssemos que comparecer com o dinheiro, não teria. Hoje,  a prioridade do governo é a folha de pagamento. A prioridade zero do governo é essa. Mas  tem uma vantagem a parte de financiamento. Muitas vezes, a gente não precisa de comparecer. Porque o certo é, a cada medição, aquilo que é de responsabilidade do governo ele colocar. Mas também isso pode ser colocado um pouquinho na frente. Desde que devidamente conversado com os agentes financeiros. A  expectativa é que a gente possa, ao longo de 2016, ter o dinheiro na fonte 100 para que possamos gerar essas contrapartidas, que não são tão grandes,  em média 5% para trazer esse dinheiro. Ou seja, os outros 95% que vão trazer tantas benfeitorias à cidade.

O senhor pode  apontar o que considera a principal falha dos últimos governos no diz respeito à infraestrutura do DF? 

Acho que nós temos um problema sério na política habitacional há muitos anos. Acho que essa nossa política tem a necessidade de antecipar a política habitacional olhando para todas as classes. Não só para a A, B ou C, mas, principalmente, nas classes D, E e F. Aí, você tem a faixa 1, que recebe até três salários, depois de três a seis e de seis a dez. Então, acho que a falta de política habitacional oferecendo moradias para essas pessoas, por meio de financiamentos e bairros estruturados, é que gerou esse grande problema que nós temos hoje. É muito mais difícil fazer a infraestrutura com o bairro funcionando do que se tivesse antecipado e oferecido a casa.  Por exemplo, o Jardins Mangueiral:   não existia, mas se fez saneamento, esgoto,   pavimentação, meio-fio, calçada e levou-se a família para morar com mais dignidade. Se você pegar esse dinheiro desses R$ 5 bilhões, a maioria vai para recuperação de áreas ocupadas irregularmente. Nós temos que fazer um grande pacto: a sociedade, o governo, os órgãos controladores, para que isso tenha um freio. Senão, é uma luta inglória.

E a proposta de construção da Transbrasília? Como ficou e qual a sua avaliação sobre a via? 

A Transbrasília mudou completamente a estrutura. Antes, era  mais uma pista de mobilidade, de você ir e vir. E ela passou a ser muito mais uma opção estruturante na cidade, de integração. Depois que você saía do Park Sul e caminhava no sentido do Guará, fazia uma integração das áreas verdes, porque ela passa perto de diversos parques e chega ali no Guará. Então,  você tem uma via que vem do Guará I, que está descompassada com o Guará II. Pelo o que eu vi ali do pré-projeto,   tem um centro de integração para valorizar a cidade, para   criar a parte de comércio com residência e dando opções às áreas institucionais. O projeto hoje muda muito a concepção das cidades. Com ele, você precisa sair mais para Brasília e abre, sim, um setor de mobilidade, porque ela integra não só o eixo das cidades-satélites com o Plano Piloto, mas, principalmente, com as artérias que hoje já são usadas, como a EPTG. Eu acho que é uma obra importante. Mas  é importante também agora saber se nós vamos ter condições de receber essa manifestação de interesse para poder fazer dessa parceria público-privada uma realidade.

Ainda sobre mobilidade. Existe a possibilidade de o metrô chegar até a Asa Norte?

Eu pertenço ao Conselho do Metrô e nós sabemos da importância da extensão que chega até o Hospital Regional da Asa Norte. De Ceilândia e Samambaia, as quatros estações. E, conversando com o presidente Marcelo Dourado, ficou claro que ele quer colocar essas obras em licitação até o final do ano.

E tem previsão para acontecer de fato?

O problema, quando a gente fala em colocar licitação, é que tem alguns momentos.  A gente entende que essas obras, caso ocorra tudo bem com os órgãos de controle, possam  acontecer a partir do final do primeiro semestre de 2016.

O que, em termos de infraestrutura, fica pronto neste mandato? 

Vamos avançar muito na infraestrutura dessas cidades que eu coloquei: Bernardo Sayão, Vicente Pires, Pôr do Sol e Sol Nascente. A ideia de governo é que a gente consiga entregar até julho de 2018 a infraestrutura dessas áreas todas: água, esgoto, drenagem e a parte de pavimentação. Além disso, tem o Drenar I e II, que prevê o desentupimento das galerias do Plano Piloto e Taguatinga.

 Fonte: Jornal de Brasília