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Senado debate regulamentação de terras raras para agregar valor e garantir soberania nacional

Senador Mourão defende marco regulatório que concilie desenvolvimento econômico, sustentabilidade ambiental e justiça social

O Senado Federal realizou nesta quarta-feira, 25 de março, audiência pública para debater o Projeto de Lei nº 2.197, de 2025, que propõe regulamentar a exportação de minerais portadores de elementos terras raras, especialmente quando não beneficiados ou não transformados. A iniciativa busca transformar o Brasil de mero exportador de matéria-prima em protagonista do desenvolvimento tecnológico global.

Segundo dados da Agência Geológica dos Estados Unidos (USGS), as terras raras compreendem 17 elementos químicos fundamentais para tecnologias modernas. O Brasil possui uma das maiores reservas potenciais do planeta, estimadas em aproximadamente 22 milhões de toneladas, segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Atualmente, o país exporta principalmente minério bruto, perdendo oportunidades de agregação de valor na cadeia produtiva.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos – RS), que presidiu a audiência no âmbito da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação (CCT), enfatizou a importância estratégica do tema para o país.

“As chamadas terras raras são insumos essenciais para a transição energética, a indústria de defesa, a produção de semicondutores, equipamentos médicos, veículos elétricos e uma ampla gama de soluções digitais. Em outras palavras, estamos falando de recursos que sustentam as bases da economia do século XXI”, afirmou Mourão.

O senador destacou o dilema histórico que o Brasil enfrenta.

“Seremos meros exportadores de matéria-prima, reproduzindo um modelo primário-exportador, ou protagonistas de uma nova etapa de desenvolvimento, agregando valor, tecnologia e inovação aos nossos recursos naturais?”

A regulamentação proposta busca equilibrar múltiplos interesses. De um lado, há a necessidade de estimular o desenvolvimento de cadeias produtivas internas, fomentar a industrialização e gerar empregos qualificados. Do outro, é preciso garantir segurança jurídica, atratividade para investimentos e competitividade internacional. Questões ambientais e sociais também integram o debate. A exploração de terras raras exige rigor técnico e responsabilidade ambiental. Segundo relatório do Banco Mundial, a mineração de terras raras pode gerar impactos significativos se não adequadamente regulada, incluindo contaminação de solos e recursos hídricos.

O senador reforçou o compromisso com um marco regulatório abrangente.

 “Nosso compromisso deve ser com um marco regulatório que concilie desenvolvimento econômico, soberania nacional, sustentabilidade ambiental e justiça social.”

Mourão encerrou os trabalhos ressaltando a importância do diálogo.

 “Que este seja um espaço de diálogo qualificado, respeitoso e produtivo, capaz de iluminar os caminhos para uma decisão legislativa responsável e à altura dos desafios do nosso tempo.”

A audiência pública reuniu especialistas, representantes do setor produtivo, academia, governo e sociedade civil para construir uma visão equilibrada, orientada pelo interesse público.