Da redação
O Senado dos Estados Unidos aprovou por 51 votos a 47 a nomeação de Daniel Perez como novo embaixador americano no Brasil. Perez, cubano-americano, foi indicado dentro de um pacote de 74 nomes para cargos diplomáticos e no governo, segundo informações disponíveis. Agora, Perez depende do aval formal do governo brasileiro para assumir o cargo, conforme o rito diplomático conhecido como agrément.
A indicação transformou-se no principal foco de uma crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O governo americano acusa Brasília de atrasar a concessão do agrément, afirmando que ofereceu “todas as oportunidades para fazer a coisa certa”, mas encontrou sucessivos adiamentos. Integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva indicaram que o Brasil não pretende conceder o agrément a novos embaixadores até o término das eleições presidenciais de outubro.
Diante do impasse, o governo dos Estados Unidos anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, medida classificada pelo Departamento de Estado como uma resposta recíproca. Viotti, no entanto, permanece reconhecida oficialmente e poderá seguir no cargo, mas terá de solicitar novo visto caso deixe o país. A senadora democrata Jeanne Shaheen criticou a decisão, dizendo que a medida prejudica a relação entre os dois países.
Segundo interlocutores do governo brasileiro ouvidos reservadamente, havia temor de que a indicação de Perez fosse utilizada para ampliar a pressão americana sobre o processo eleitoral brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou em entrevista a canais do YouTube que a medida dos Estados Unidos foi “irresponsável” e “impensada”, reafirmando que só analisará novos agréments após as eleições, o que mantém indefinido o futuro de Perez.





