Da redação
A apresentação do relatório final do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na CPI do Crime Organizado, que pedia o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, gerou reação imediata da cúpula do Supremo Tribunal Federal. Na noite de terça-feira, 14, ministros repudiaram o parecer de Vieira em plenário e em nota pública do presidente do STF, Edson Fachin. No mesmo dia, a CPI rejeitou o relatório por 6 votos a 4, após manobra do Palácio do Planalto para trocar dois senadores e garantir maioria.
O ministro Gilmar Mendes, um dos citados, afirmou que Vieira “se esqueceu dos seus colegas milicianos e decidiu envolver o Supremo Tribunal Federal por ter concedido um habeas corpus”. Gilmar ainda protocolou ação na PGR pedindo investigação do senador por possível abuso de autoridade; Vieira solicitou o arquivamento. Integrantes do STF e do governo acusaram Vieira de buscar fato político para agradar o eleitorado bolsonarista, sem incluir líderes do crime organizado entre os indiciados.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, criticou indiretamente Vieira ao lamentar o clima de “agressões aos Poderes” e alertar sobre limites institucionais, mas também enfrenta pressão da oposição para endurecer com o STF. Cabe ainda a Alcolumbre autorizar viagem de senadores bolsonaristas aos EUA para negociar asilo ao ex-chefe da Abin, Alexandre Ramagem, preso por dois dias nos EUA e condenado a mais de 16 anos no Brasil.
Na área política, José Guimarães tomou posse como novo ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais) na terça-feira, 14, após saída de Gleisi Hoffmann. Ele terá a missão de manter o diálogo entre Planalto e Congresso em ano eleitoral. Já Aécio Neves (PSDB) convidou Ciro Gomes para a disputa presidencial pelo partido, convite ainda sem resposta.
Na quinta-feira, 16, a Polícia Federal prendeu preventivamente Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e o advogado Daniel Monteiro, no âmbito da Operação Compliance Zero, acusados de envolvimento em fraudes que movimentaram R$ 146 milhões. No dia anterior, a Justiça de São Paulo determinou a interdição de Fernando Henrique Cardoso, 94, por Doença de Alzheimer avançada; seu filho Paulo Henrique foi nomeado curador provisório.






