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Setor privado aposta em desacordo entre Lula e Motta para evitar o fim da escala 6×1


Da redação

A divergência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre o fim da escala 6×1 pode travar o debate no Congresso. Ministros do governo, parlamentares e executivos do setor privado ouvidos pelo PlatôBR destacam o impasse provocado pelas diferentes opiniões quanto ao caminho legislativo para tratar do tema.

Lula anunciou nesta quarta-feira, 8, que enviará ao Congresso, ainda nesta semana, um projeto de lei com urgência para tratar do fim da escala 6×1. O presidente ressaltou que, caso não seja apreciado em 45 dias, o texto irá trancar a pauta do plenário da Câmara.

Já Hugo Motta defende que a questão seja debatida através de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Segundo o parlamentar, a admissibilidade da PEC será votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima semana e, se aprovada, será criada uma comissão especial para discutir a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

Executivos do setor privado acompanham o tema de perto e pedem que o debate aconteça em novembro, após as eleições, para evitar que a tramitação seja contaminada pelo período eleitoral. Eles avaliam que um debate técnico pode ser preterido caso a discussão avance nos próximos meses.

O governo busca aprovar até junho, na Câmara, a redução da jornada laboral. Porém, auxiliares de Lula consideram que, caso a votação não ocorra até esse prazo, a análise deve ficar para depois das eleições, com possibilidade de a proposta ser engavetada. O empresariado aposta na divergência entre Câmara e governo para adiar a tramitação, evitando que o tema se torne um dividendo eleitoral para Lula.