Início Mundo Setores da esquerda brasileira evitam criticar teocracia do Irã durante a guerra

Setores da esquerda brasileira evitam criticar teocracia do Irã durante a guerra


Da redação

Com o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, partidos e entidades de esquerda no Brasil emitiram notas de repúdio ao conflito, alinhando-se à posição do governo Lula de buscar a paz e o multilateralismo. Apesar da condenação ao confronto militar, parte da esquerda evita criticar o regime teocrático iraniano, que persegue opositores, mulheres e homossexuais. Em nota, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) associou o conflito ao “domínio sionista” e criticou Estados Unidos e Israel, sem comentar sobre as violações internas do Irã.

Na esquerda radical, o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, nega que o Irã seja uma teocracia e justifica medidas de exceção tomadas pelo regime diante do aumento das tensões. Pimenta minimizou a repressão a protestos no país, afirmando que não eram manifestações pacíficas. O Irã admitiu 3.000 mortes, classificando as vítimas como terroristas; segundo a HRANA, agência de direitos humanos, o número chega a 4.519, com outras 9.000 sob investigação.

Valter Pomar, ligado à Fundação Perseu Abramo e à ala mais à esquerda do PT, elogiou o posicionamento de Lula e defendeu o direito do Irã à autodefesa. No entanto, evitou criticar a teocracia, afirmando que cabe ao povo iraniano decidir seu destino. Ana Prestes, do PC do B, também defendeu a soberania iraniana e disse que não apoiaria teocracia no Brasil, mas respeita a decisão dos iranianos após a revolução de 1979.

Já Ivan Valente (PSOL-SP) afirmou discordar do regime clerical, mas criticou o isolamento internacional imposto ao Irã. Segundo o deputado, Ocidente perdoa a Arábia Saudita, mas condena o Irã, e defendeu que apenas o povo iraniano resolva seus conflitos.

Analistas como Leonardo Avritzer, da UFMG, apontam que setores da esquerda adotam uma visão dicotômica e antiamericana sobre o conflito, relativizando os problemas internos do Irã em função da oposição ao imperialismo dos Estados Unidos.