Da redação
Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) mostram que cerca de 900 mil domicílios no Sul do Brasil saíram da situação de insegurança alimentar grave entre 2022 e 2024. No mesmo período, 4,4 milhões de lares alcançaram a segurança alimentar, 1,7 milhão superaram a insegurança leve, e mais de 1 milhão deixaram a condição moderada. O avanço é atribuído à retomada e ao fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), reestruturado em 2023.
As informações, levantadas pela Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF) do MDS, foram apresentadas em 14 de abril, no Encontro Regional do Sisan, em Curitiba (PR). O Sisan integra ações de governos e sociedade civil para garantir o direito à alimentação adequada. Segundo a Ebia, insegurança alimentar leve refere-se à preocupação com falta de alimentos, a moderada envolve piora na qualidade e quantidade da dieta, e a grave indica fome.
Apesar dos avanços, há desafios: Porto Alegre (RS), Curitiba (PR) e Canoas (RS) concentram 11.975, 5.696 e 4.269 domicílios com insegurança alimentar grave, respectivamente. As capitais Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis (SC) somam cerca de 19,5 mil lares com risco de agravamento. Em média, 2,2% dos lares do Sul são considerados em risco, segundo triagem feita pelas equipes de saúde.
O Cadastro Único (CadÚnico) abrange 75,5% dessas famílias em risco, ampliando o acesso a políticas públicas. Estudo aponta que o Bolsa Família pode aumentar em 16% as chances de superação da insegurança alimentar entre julho e dezembro de 2025. Já inscritos no CadÚnico apresentam probabilidade 30% maior de deixar a condição.
O protocolo Brasil Sem Fome integra SUS, SUAS e Sisan, otimizando a identificação e atendimento das famílias em risco. Durante o evento, programas municipais de enfrentamento à fome foram destacados, como o Mesa Solidária (Curitiba), o PAA Indígena (Ipuaçu/SC) e o Nutrindo Vidas (São Leopoldo/RS).






