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Sistema de transporte de Coimbra é destaque mundial em adaptação às mudanças climáticas


Da redação

O aumento das temperaturas globais, segundo relatório da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (Unece), ameaça comprometer a infraestrutura de transportes em regiões da Europa, Ásia Central e América do Norte, especialmente a partir de 2051. Conforme o documento, a elevação térmica pode intensificar danos como derretimento do asfalto, expansão de pontes e deformação de trilhos, já observados em cidades como Leipzig, na Alemanha, onde calor de 40°C amoleceu o asfalto e interrompeu o serviço de bondes.

A Unece aponta que, nessas regiões, trechos de rodovias e ferrovias deverão enfrentar entre 10 e 50 dias por ano com temperaturas acima de 25°C. Em localidades próximas a Sevilha, na Espanha, e Esmirna, na Turquia, o número de dias com temperatura máxima superior a 43°C deve crescer em até 12 dias anuais entre 2051 e 2080. Segundo o relatório, esses fatores agravam o risco de deterioração de pavimentos, aumentam o consumo energético e elevam a frequência de incêndios florestais.

O documento destaca o Sistema de Mobilidade de Mondego, em Coimbra, Portugal, como exemplo de adaptação. De acordo com a Unece, a rede de Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) da cidade, com 42 km de extensão, foi ajustada para resistir a calor extremo, inundações, deslizamentos de terra e incêndios. Entre as soluções implementadas estão pavimentos resistentes, sistemas de drenagem projetados para absorver cheias centenárias, monitoramento por fibra óptica e limpeza constante da vegetação.

O relatório ainda ressalta que inundações representam 73% dos danos anuais esperados globalmente. Infraestruturas localizadas nas bacias dos rios Danúbio, Reno, Elba, Pó, Dnieper, Don e Volga podem ser gravemente afetadas por enchentes. Estimativas apontam que, até 2100, entre 71% e 89% dos portos mundiais poderão sofrer impactos de tempestades marinhas extremas, expondo milhões de pessoas a inundações costeiras frequentes.