Da redação
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, aprovou nesta segunda-feira (2) o orçamento estatal para 2026 mesmo sem contar com maioria parlamentar. A vitória, alcançada por meio de um dispositivo constitucional que permite a aprovação sem votação na Assembleia Nacional, reforça a permanência de Lecornu, nomeado em setembro de 2023 pelo presidente Emmanuel Macron, no cargo até as eleições de 2027.
Na semana anterior, Lecornu já havia recorrido ao mesmo mecanismo para avançar com o orçamento. Em resposta, a oposição apresentou duas moções de censura: uma da França Insubmissa (ultraesquerda), que obteve 260 votos, e outra da Reunião Nacional (ultradireita), com 135 votos. O número ficou abaixo dos 289 votos necessários para derrubar o governo.
Desde que assumiu, o premiê sobreviveu a dez moções de censura. “É hora de passar a outra coisa”, afirmou Lecornu no plenário, após quatro meses de debates sobre o orçamento que quase paralisaram a administração francesa.
A coalizão de centro-direita liderada por Lecornu controla menos de 200 dos 577 deputados. Ele resiste às moções graças ao apoio tácito de socialistas e republicanos moderados, que temem perder suas cadeiras caso o parlamento seja dissolvido e ocorram eleições antecipadas.
Para garantir a aprovação, Lecornu fez concessões aos socialistas e prometeu reduzir o déficit público de 5,4% para 5% do PIB, com objetivo de atingir 3% em 2029, conforme exigido pela União Europeia. Pesquisa Odoxa divulgada em janeiro mostra Lecornu como o quinto político mais popular da França, embora apenas 33% o considerem um “bom primeiro-ministro”, à frente de Macron, que ocupa a 12ª posição no ranking.






