Por Alex Blau Blau
Decisão do ministro André Mendonça atende pedido da Polícia Federal para apurar supostas irregularidades envolvendo negócios ligados à cannabis medicinal e contatos no Ministério da Saúde
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um inquérito para que a Polícia Federal investigue o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência. A apuração tramita sob sigilo e foi autorizada após solicitação da própria Polícia Federal.
Filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lulinha passou a ser alvo da investigação em razão de elementos reunidos durante outra apuração relacionada ao chamado caso do INSS. Segundo a Polícia Federal, as diligências buscam esclarecer possíveis vínculos entre o empresário e negociações envolvendo projetos voltados ao mercado da cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde.
De acordo com os investigadores, um dos focos da apuração é a relação entre Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A Polícia Federal identificou encontros, viagens internacionais realizadas em períodos coincidentes e movimentações financeiras que agora serão analisadas no novo inquérito.
Entre os elementos levantados pelos investigadores estão registros de viagens para países da Europa, além de informações que apontam para despesas que teriam sido custeadas por pessoas ligadas ao projeto empresarial envolvendo o mercado da cannabis medicinal. Também são analisadas visitas realizadas ao Ministério da Saúde entre 2023 e 2025 por integrantes do grupo investigado.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou ter recebido a instauração do inquérito com surpresa, mas disse estar tranquila quanto ao andamento da investigação. Em nota, o advogado Marco Aurélio de Carvalho declarou que considera incomum a abertura de um novo procedimento e sustentou que não há qualquer participação de seu cliente em atos ilícitos.
Segundo a defesa, ao longo da investigação será possível demonstrar que Lulinha não possui envolvimento direto ou indireto com irregularidades e que todas as acusações poderão ser esclarecidas no decorrer do processo.
Com a autorização do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal poderá aprofundar as diligências, reunir novos elementos e ouvir pessoas ligadas ao caso antes de decidir se há indícios suficientes para eventual responsabilização criminal. Até o momento, a abertura do inquérito representa apenas o início das investigações, sem qualquer conclusão sobre a existência de crimes ou atribuição de culpa aos investigados.




