Início Brasil STF retoma julgamento sobre criminalização de jogos de azar no Brasil

STF retoma julgamento sobre criminalização de jogos de azar no Brasil

Por Alex Blau Blau

Ministros vão decidir se permanece válida a proibição da exploração de atividades como jogo do bicho, bingo e máquinas caça níqueis

O Supremo Tribunal Federal retoma nesta quinta-feira o julgamento que definirá se permanece válida a criminalização da exploração de jogos de azar no país. A Corte analisa um recurso que questiona a constitucionalidade da Lei de Contravenções Penais, responsável por proibir atividades como jogo do bicho, bingo e máquinas caça níqueis.

O julgamento teve início na quarta-feira, quando o relator do processo, ministro Luiz Fux, apresentou parte de seu voto e sinalizou posicionamento favorável à manutenção da legislação vigente. A análise foi interrompida e será retomada com a continuidade do voto do relator e, posteriormente, com a manifestação dos demais ministros.

A ação foi apresentada após decisões da Justiça do Rio Grande do Sul deixarem de aplicar a contravenção penal em casos envolvendo exploração de jogos de azar. O entendimento adotado por aqueles julgados considerou que a proibição poderia ser incompatível com princípios constitucionais relacionados à livre iniciativa e às liberdades individuais.

Durante a sessão, Luiz Fux destacou que o julgamento não trata da conduta do apostador, mas da exploração comercial dessas atividades. Segundo o ministro, os impactos da prática vão além das apostas, alcançando questões ligadas à segurança pública, à atuação de organizações criminosas e aos efeitos sobre a saúde da população.

O relator também chamou atenção para a expansão das apostas no país, incluindo as plataformas eletrônicas, afirmando que o crescimento desse mercado representa um desafio que também deverá ser enfrentado pelo Judiciário.

Representando o Ministério Público, o procurador geral da República, Paulo Gonet, defendeu a manutenção da criminalização da exploração dos jogos de azar. Segundo ele, a legislação busca proteger não apenas o patrimônio dos apostadores, mas também a saúde pública, as famílias e a própria economia diante dos riscos associados ao vício em jogos.

Além do voto de Luiz Fux, outros nove ministros ainda deverão se manifestar sobre o tema. A decisão que vier a ser adotada pelo Supremo Tribunal Federal terá repercussão nacional e servirá de orientação obrigatória para as demais instâncias do Judiciário. Atualmente, cerca de 2,7 mil processos semelhantes aguardam a definição da Corte.