Início Brasil Subnotificadas, drogas sintéticas avançam e desafiam a saúde pública nas cidades

Subnotificadas, drogas sintéticas avançam e desafiam a saúde pública nas cidades

- Publicidade -


Da redação

O avanço das drogas sintéticas no Brasil e a dificuldade em medir seu consumo representam um novo desafio para a saúde pública nas grandes cidades, caracterizado por dinamicidade e invisibilidade nas estatísticas tradicionais. Embora crack e cocaína ainda predominem nos atendimentos de saúde, especialistas indicam uma mudança gradual no perfil de usuários, mesmo com a escassez de dados consolidados.

As drogas sintéticas, como metanfetamina, opioides, canabinoides sintéticos, MDMA, catinonas e cetamina, apresentam alta toxicidade e efeitos imprevisíveis, podendo causar intoxicações graves, surtos psicóticos e até morte. O tema foi debatido na Cúpula da Parceria para Cidades Saudáveis, realizada no Rio de Janeiro, iniciativa global apoiada pela Bloomberg Philanthropies, OMS e Vital Strategies, que contempla 11 cidades no mundo voltadas à prevenção de mortes por overdose.

Entre as estratégias, destaca-se o aumento do acesso à naloxona, medicamento que reverte overdoses por opioides. Atenas, por exemplo, liderou a ampliação nacional do acesso ao fármaco além do ambiente hospitalar, tornando-o disponível a usuários e familiares. No Rio, o foco é integrar informação e assistência para mapear o consumo, identificar áreas vulneráveis e antecipar demandas, segundo Daniel Soranz, ex-secretário municipal de Saúde.

O impacto das drogas sintéticas permanece subdimensionado devido à variabilidade das substâncias e cadeias de distribuição menos visíveis, dificultando o monitoramento. “Sem dados, não conseguimos dimensionar o problema. E sem isso, não conseguimos cuidar”, resume Soranz. Heller, da Vital Strategies, aponta a necessidade de testagem em campo, análise laboratorial e sistemas de alerta para respostas rápidas. Modelos como os de Vancouver e Toronto já divulgam semanalmente informações ao público.

Enquanto overdoses por opioides são mais fáceis de identificar, mortes por estimulantes são frequentemente registradas como infartos, mascarando o real impacto. Evidências apontam que o uso de estimulantes aliado ao calor extremo eleva o risco de eventos fatais, agravando a preocupação em capitais como o Rio de Janeiro.