Início Política Suspeitos de vazar dados sigilosos do STF evitam comentar investigação

Suspeitos de vazar dados sigilosos do STF evitam comentar investigação


Da redação

Quatro servidores da Receita Federal suspeitos de acessar ilegalmente e vazar dados sigilosos de ministros do STF e familiares evitaram falar sobre a operação da Polícia Federal. Segundo o Supremo Tribunal Federal, foram identificados “diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil, seguindo-se de posterior vazamento das informações sigilosas”. Os servidores foram afastados, tiveram os passaportes cancelados e prestarão depoimento à PF.

Entre os investigados está Ricardo Mansano de Moraes, auditor da Receita Federal em Presidente Prudente (SP), que mora em São José do Rio Preto. Documentos, notebook e celular foram apreendidos em sua residência. Mansano é servidor público desde 1995, integra a Eqrat desde 2023 e trabalha em home office. No portal da transparência, consta remuneração média de R$ 27 mil; em dezembro recebeu R$ 51,6 mil. Colegas relataram surpresa com a investigação, classificando-o como discreto.

No Guarujá, Ruth Machado dos Santos, agente administrativa e técnica do seguro social da Receita desde 1994, também é investigada. Com renda de R$ 11,7 mil, reside em bairro de perfil discreto. Segundo o marido, ela não constituiu defesa e preferiu não comentar o caso. Vizinha descreveu a família como reservada e religiosa. Luciano Pery Santos Nascimento, técnico do seguro social da Receita em Salvador com salário de R$ 11,5 mil, também não foi localizado pela reportagem.

O quarto investigado é Luiz Antônio Martins Nunes, servidor do Serpro, cedido ao Fisco. A defesa não foi localizada. O Serpro afirmou que seus sistemas são totalmente rastreáveis, permitindo auditoria de eventuais irregularidades.

Há questionamentos sobre a competência do STF para conduzir o caso, já que servidores da Receita não têm foro privilegiado, além do uso do inquérito das fake news para apurar o vazamento e da divulgação dos nomes dos suspeitos enquanto a investigação ainda está sob sigilo. O STF não detalhou que dados foram vazados, nem confirmou relação com denúncias recentes envolvendo familiares de ministros.