Em entrevista, internacionalista aponta o papel da EEN Brasil como ponte entre conhecimento, tecnologia e oportunidades para empresas brasileiras em mais de 60 países
Com trajetória marcada pela internacionalização de negócios e pela promoção da inovação, Tatiana Farah Cauville vê na Enterprise Europe Network Brasil uma plataforma estratégica para aproximar empresas brasileiras de parceiros, mercados e centros de conhecimento em todo o mundo. Integrada à maior rede global de apoio à inovação e à internacionalização de pequenas e médias empresas, a EEN atua como um elo entre empresas, universidades, centros de pesquisa e
investidores, ampliando o acesso a tecnologias, cooperações internacionais e oportunidades de negócios em várias nações.
Membro do Conselho de Internacionalização da Enterprise Europe Network Brasil – EEN, do Business Council do WTC de Ribeirão Preto e da Organização Brasileira de Mulheres Empresárias, sendo referência em inovação e internacionalização de empresas, Tatiana fala sobre como conectar ecossistemas locais a redes globais de conhecimento — e os motivos pelos quais Ribeirão Preto pode ser muito mais do que a capital do agronegócio.
Tatiana, como você descreveria sua trajetória até aqui?
Desde o início da minha trajetória como internacionalista, tenho focado no desenvolvimento de estratégias para a internacionalização e na promoção da inovação e transferência de tecnologia, visando fortalecer a competitividade de empresas e instituições. Entre os projetos de maior impacto, destaco o desenvolvimento de um mindset global e o fomento a culturas de negócios internacionais, além de reestruturações organizacionais para a implementação estratégica de P&D – como a implementação dos Institutos SENAI de Inovação.
Mais recentemente, na CNI (Confederação Nacional da Indústria), que faz parte inclusive do Consórcio Brasileiro da EEN, atuei diretamente na promoção comercial e de investimentos, sempre sob o lema de levar mais Brasil ao mundo.
Hoje, além de atuar como conselheira em diversas instituições, tenho a honra de compor o conselho do Business Club do World Trade Center (WTC) Ribeirão Preto. Trata-se de uma iniciativa pioneira para a região — uma das mais dinâmicas do país — com o propósito de conectar setores estratégicos como agronegócio, saúde, real estate e varejo. Ribeirão Preto
consolidou-se como um robusto hub de pesquisa, potencializado por centros universitários de excelência e ecossistemas vibrantes para startups.
Qual é, na sua visão, o papel concreto da EEN para as empresas brasileiras?
A EEN tem sido uma catalisadora de Inovação Aberta, facilitando rodadas de negócios internacionais e missões técnicas para hubs globais. Essas ações permitem que nossas empresas não apenas exportem produtos, mas também absorvam fronteiras de conhecimento em processos de gestão e tecnologias sustentáveis. O benefício central é a redução da distância entre o conhecimento acadêmico e o mercado. Ao acessar o consórcio, a empresa obtém um “selo de confiança” e o suporte de uma rede de especialistas que mitiga riscos inerentes à expansão global.
A EEN Brasil atua como o tecido conectivo desse ecossistema. Modernizamos essa integração por meio de plataformas digitais de matchmaking.
Quais são os próximos passos ou projetos que o consórcio tem planejado, e como a WTC pretende contribuir para esses objetivos?
Em um futuro próximo, espero poder conectar a EEN com Ribeirão disponibilizando às empresas da região nossa plataforma de P&D com alcance em mais de 60 países. Podemos apoiar na quebra de silos, unindo startups, grandes indústrias, universidades e investidores em uma governança colaborativa. Ribeirão Preto se destaca por esse ecossistema maduro — exemplificado pelo Supera Parque, referência em biotecnologia, e pelo peso institucional da USP — garantindo que a inovação ocorra de forma fluida e alinhada às macrotendências globais de ESG e Transformação
Digital.
Nesse cenário, o Business Council do WTC Ribeirão Preto funciona como uma ponte física e relacional, utilizando nossa rede global para atrair investimentos estrangeiros diretos e promover o soft landing de empresas internacionais. Nosso objetivo é claro: consolidar Ribeirão Preto não apenas como a capital do agronegócio, mas como um celeiro global de soluções tecnológicas sustentáveis.
Sobre o Consórcio EEN Brasil
Nos últimos oito anos, a Enterprise Europe Network (EEN) já realizou mais de 3 mil consultorias voltadas à expansão internacional de pequenas e médias empresas brasileiras. O consórcio atua como uma ponte estratégica entre o Brasil e a União Europeia, buscando promover a inclusão, inovação e a cooperação entre os países.
Por meio de ações coordenadas, intercâmbio de conhecimento e uma abordagem focada nas necessidades das empresas, o consórcio busca ampliar a inserção internacional das pequenas e médias empresas brasileiras.
Além disso, também busca fortalecer a presença das empresas europeias no Brasil, estimular a cooperação sustentável de longo prazo entre Brasil e União Europeia, e promover um crescimento econômico sustentável e equilibrado.
Fazem parte como membros: Confederação Nacional da Indústria ( CNI), Apex-Brasil, Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial ( Embrapii), Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia ( Ibict), Fundação de Apoio à Cultura Educação e Pesquisa ( Fapec), Rede Europeia de Centros e Polos de Investigação e Inovação na América Latina e
Caribe ( ENRICH in LAC), Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Confederação Assespro), Instituto Global ESG, Associação Brasileira de Artigos para Casa, Decoração, Presentes e Utilidades Domésticas ( ABCasa), Associação Comercial de Chapecó (ACIC Chapecó), Associação Empresarial de Concórdia ( ACIC Concórdia), Associação das Empresas de Pequeno Porte do RS ( Microempa) e Organização Brasileira de Mulheres Empresárias ( OBME).
Além dos membros, o Consórcio também conta com uma rede de apoiadores (stakeholders) que representam entidades de promoção de negócios internacionais.






