Início Distrito Federal Taxistas do DF propõem ‘união com Uber’ em reunião com Rollemberg

Taxistas do DF propõem ‘união com Uber’ em reunião com Rollemberg

4353672Junção de serviços geraria ‘táxi executivo’ guiado por motorista autorizado. Uber não comentou proposta; GDF tem até dia 6 para sancionar projeto.

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, se reuniu nesta terça-feira (28) no Palácio do Buriti com representantes dos taxistas, da Secretaria de Mobilidade e do aplicativo Uber. Cerca de 30 pessoas participaram do encontro. O GDF diz que ainda não sabe se vai sancionar o projeto de lei que proíbe o uso do app por motoristas sem licença de táxi.

“Nós temos uma realidade concreta em função do avanço da tecnologia, das facilidades que a tecnologia permite, e nós vamos ter que tomar uma decisão sobre isso. […] Essa regulamentação pode ser até envolvendo, articulando alguns tipos de táxi com o próprio Uber ou com outros aplicativos”, declarou Rollemberg.

Durante a reunião, taxistas afirmaram buscar uma alternativa para se associar ao aplicativo. Desta forma, os motoristas autorizados também poderiam atender aos chamados feitos no Uber. Em cidades como Nova York, o Uber Táxi funciona em paralelo ao Uber Executivo, que é usado no Brasil.

O GDF tem até o dia 6 de agosto para sancionar ou vetar o projeto do deputado Rodrigo Delmasso (PTN), que restringe o aplicativo apenas para os taxistas com cadastro na Secretaria de Mobilidade. Se o governo não se posicionar, o texto volta para a Câmara e pode ser promulgado pela Mesa Diretora.

‘Táxi executivo’
O presidente da Associação de Taxistas do DF, José Araújo, afirma que a união das duas modalidades poderia resultar em um “táxi executivo”, com vantagens semelhantes às oferecidas pelos motoristas do Uber.

“Se quiser criar o táxi executivo preto, autoriza. Nós pegamos a autorização de táxi que temos, compramos o carro executivo preto, colocamos o motorista de terno e gravata, damos água, se quiser, e balinha. Tudo isso a gente faz”, afirma. O representante do Uber que compareceu à reunião no Buriti não quis gravar entrevista.

Reuniões
O vice-governador do DF, Renato Santana, se reuniu na quinta (23) com os setores para iniciar uma rodada de discussões. Entre as possibilidades discutidas estava vetar o artigo 7 da lei, que proíbe que motoristas sem licença, como os do Uber, cobrem pela atividade.

Taxistas estacionam em praça em frente ao Palácio do Buriti (Foto: Gabriel Luiz/G1)Taxistas estacionam em praça em frente ao Palácio do Buriti (Foto: Gabriel Luiz/G1)

“Esse assunto estava aí quicando de um lado para o outro, e nós assistimos a alguns episódios de agressão. Uma das missões do governo é efetivamente entrar no circuito, favorecer a construção de um ambiente de diálogo”, declarou Santana.

Taxistas alegam que motoristas ligados a esses aplicativos levam “vantagem” porque não pagam taxas de permissão e impostos específicos do serviço. Para amenizar a situação e atender parte da demanda, o governador disse que vai conceder 700 novas autorizações imediatas para a categoria.

O DF tem atualmente 3,4 mil titulares de permissão para dirigir táxi e 2,4 mil motoristas auxiliares. As licenças não eram abertas desde 1979. A expectativa é conceder outras 400 autorizações ao longo do ano.

Violência
No dia 3 de julho, um funcionário de uma agência de turismo foi confundido com um motorista do Uber e atacado no aeroporto de Brasília (veja vídeo). O homem tinha ido ao terminal para buscar o cantor e deputado federal Sérgio Reis (PRB-SP), que tinha show marcado na capital. Nas imagens, quatro taxistas gritam: “Some daqui! Vai embora” e “Pega teu carro e some”. Um deles avança na direção de uma outra pessoa, que também está de terno.

 Alvo das agressões, o motorista Osvaldo Gianini disse que ficou assustado com a abordagem. “Eu, particularmente, estou com medo de parar o carro lá, de estar indo buscar artista ou autoridade e levar uma facada, levar um tiro, levar uma paulada. Eu acho que as autoridades têm de tomar uma providência logo.”

Inquérito
Após a agressão, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) instaurou inquérito administrativo para apurar se o combate das entidades de taxistas ao aplicativo Uber representa “infração à ordem econômica”. A decisão foi tomada após representação de movimentos estudantis do Distrito Federal que denunciam “conduta anticompetitiva” dos sindicatos que se mobilizam contra o aplicativo.

Não há prazo estipulado para a conclusão do procedimento. Vinculado ao Ministério da Justiça, o Cade é uma autarquia federal com “missão de zelar pela livre concorrência no mercado”. Em nota, o conselho diz que vem “acompanhando os conflitos” e avalia “eventuais infrações previstas na Lei de Defesa da Concorrência.

Taxistas ‘irritados’
Ao comentar a agressão no aeroporto JK, a presidente do Sinpetaxi-DF, Maria do Bomfim, disse que a categoria está “irritada” com a competição. “Todos os companheiros andam revoltados porque este aplicativo Uber é irregular, clandestino e está tomando nossos passageiros. A orientação do sindicato é para não perdermos a razão e que o motorista tenha paciência, que a justiça está aí para ser feita.”

O secretário de Turismo do DF, Jaime Recena, criticou a postura dos taxistas. “É um absurdo que na capital do país nós tenhamos esse tipo de atitude, uma atitude desrespeitosa com quem tem o direito garantido por lei de exercer a atividade de transporte executivo e de transporte receptivo de turistas.”

Fonte: G1