Da redação
O presidente da LaLiga, Javier Tebas, reconheceu publicamente as limitações do futebol espanhol no combate ao racismo, após os casos envolvendo Vinicius Jr., do Real Madrid. Em entrevista ao GE, Tebas afirmou que a repercussão das denúncias feitas pelo jogador brasileiro foi determinante para uma mudança de postura institucional. “Com o caso do Vinicius, nos demos conta de que não fazíamos o suficiente. Havia uma situação que precisávamos mudar. Não podemos continuar iguais”, declarou.
O dirigente destacou ainda o papel de liderança de Vini Jr. na luta contra o racismo, o que — segundo Tebas — ampliou a visibilidade do problema. “Creio que Vinicius recebe mais insultos racistas porque se tornou um líder na luta contra o racismo. É valente em suas manifestações, atitudes e feitos”, afirmou.
O episódio mais recente ocorreu em um jogo da Champions League contra o Benfica, quando Vinicius denunciou uma ofensa do argentino Prestianni. Ataques semelhantes, tanto em estádios quanto em redes sociais, já foram registrados desde 2021. Diante disso, a LaLiga criou mecanismos de monitoramento e lançou a plataforma “LALIGA VS Racism”, além de enviar equipes especializadas para identificar manifestações discriminatórias. No entanto, Tebas ressaltou que a entidade não possui autonomia para punir diretamente torcedores ou clubes, tarefa que cabe à federação espanhola e à Justiça comum.
Mesmo assim, o presidente da LaLiga defende medidas mais duras, como o fechamento de arquibancadas ou até estádios em casos de insultos racistas não identificados. “O autor é quem insulta, mas quem encobre também contribui para o problema. Em alguns casos, pode ser necessário fechar o estádio”, disse Tebas, acrescentando que mecanismos também devem impedir a entrada de grupos organizados já identificados.
Na esfera judicial, torcedores já foram condenados por crimes de ódio em partidas do Real Madrid. Especialistas, porém, alertam para a persistência do problema nas redes sociais, exigindo vigilância contínua. O movimento encabeçado por Vinicius Jr. ajudou a transformar a abordagem da Liga, que agora trata o racismo de forma estrutural. Mesmo assim, Tebas admite a necessidade de avanços, inclusive em outras competições europeias.






