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Telefones públicos entram em extinção no Distrito Federal


Da redação

Antes da popularização dos celulares, os orelhões eram fundamentais para a comunicação pública no Brasil. O equipamento foi criado em 1971 pela arquiteta chinesa Chu Ming, radicada no país, oferecendo uma alternativa aos caros telefones residenciais e às cartas. O orelhão foi inaugurado no Rio de Janeiro em 20 de janeiro de 1972 e em São Paulo no dia 25. Em Brasília, o aparelho substituiu as antigas cabines telefônicas europeias logo após a fundação da cidade. Segundo a Anatel, atualmente restam apenas dois orelhões fixos em operação pela Oi na capital federal.

A brasiliense Fernanda Fontella, 48, lembra que os orelhões fizeram parte da rotina de quem cresceu entre as décadas de 1970 e 1990. Ela guardou cerca de 200 cartões telefônicos como lembrança de uma época em que a linha fixa era inacessível para muitos. “Eu tinha amigas que moravam fora, e o orelhão era a única forma de contato”, relata. Segundo Fernanda, o uso do orelhão marcou relações afetivas e exigia praticidade: laranjas para chamadas locais, azuis para interurbanas e internacionais.

Para o público mais jovem, os orelhões simbolizam uma fase de transição tecnológica. Henrique Araújo, 29, recorda que, ao se mudar para Brasília em 2006, ainda era fácil encontrar aparelhos públicos e combinar encontros usando cartões telefônicos vendidos em bancas. “A evolução do mundo digital tornou o serviço obsoleto”, afirma.

A Anatel esclareceu que os orelhões estavam ligados aos contratos de concessão da telefonia fixa, vigentes até dezembro de 2025. Com o fim dos contratos e a migração para o regime de autorização, as operadoras se comprometeram a manter os aparelhos apenas em localidades sem cobertura adequada de telefonia móvel até 31 de dezembro de 2028.

Em 2025, o Brasil tinha 38.354 orelhões instalados. A Oi foi a operadora que mais reduziu aparelhos e, em nota, informou que mantém orelhões apenas onde há obrigatoriedade. Segundo a empresa, o desligamento dos equipamentos segue um cronograma logístico e financeiro, com a previsão de manter cerca de nove mil aparelhos em funcionamento no país até 2028.