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Tentativa de compra do Master pelo BRB completa 1 ano com escândalo longe de ser elucidado


Da redação

Três meses antes de ser preso pela Polícia Federal e de ver o Banco Master ser liquidado pelo Banco Central, Daniel Vorcaro mantinha grandes planos para sua carreira no setor bancário. “Sou jovem. Tenho só 41 anos e um mundo pela frente”, afirmou a três interlocutores em agosto de 2025, em sua mansão no Lago Sul, Brasília. A declaração foi feita em resposta à expectativa de que seria banido do setor pelo BC.

O anúncio da compra de 58% do Master pelo Banco de Brasília (BRB) completa um ano neste sábado (28), mas o caso segue sem solução. Em setembro de 2025, o BC vetou por unanimidade a operação, após uma série de problemas relacionados à liquidez e à gestão do banco, que chegaram a ameaçar um rombo superior a R$ 60 bilhões, segundo apuração da Folha de S. Paulo.

O crescimento do Banco Master se intensificou a partir de 2019, após Vorcaro assumir o controle do antigo Banco Máxima, impulsionado por captações de CDBs e aquisições de instituições como Vipal, Banif Brasil, Voiter, Letsbank e Will Financeira. Entre 2022 e 2024, o BC emitiu 31 ofícios cobrando ajustes, provisões e melhorias de gestão, principalmente após constatar problemas em participações societárias, empréstimos corporativos, precatórios e CRIs.

Em 2024, com o agravamento das dificuldades para honrar compromissos, Vorcaro buscou aporte de até R$ 15 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas conseguiu captar apenas R$ 2 bilhões. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) chegou a apresentar emenda legislativa para ampliar a garantia do FGC para R$ 1 milhão, proposta barrada após intervenção do BC e FGC.

A crise aprofundou-se com a inadimplência de carteiras e tentativas frustradas de encontrar soluções privadas, culminando na proibição de novas operações pelo BC em setembro de 2025. O caso permanece com desdobramentos investigativos, considerado o maior escândalo financeiro do Brasil.