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General Arruda relata seu papel na crise militar antes do 8 de janeiro

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Da redação do Conectado ao Poder

O ex-comandante do Exército, Júlio César de Arruda, esclarece seu papel em reunião sob clima de tensão durante os preparativos para a tentava de golpe.

O general Júlio César de Arruda, ex-comandante do Exército, prestou depoimento na audiência sobre a tentativa de golpe que se desenrolou na véspera do 8 de janeiro de 2023. Em seu relato, Arruda afirmou que sua principal função era acalmar a situação tensa em Brasília, onde manifestantes se aglomeravam em frente ao Quartel General do Exército. Durante o depoimento, que ocorreu no Supremo Tribunal Federal, ele detalhou os eventos que levaram à sua breve passagem pelo comando do Exército e seus contatos com a administração anterior.

Em 28 de dezembro de 2022, o general revelou que foi procurado por Mário Fernandes, ex-número dois da Secretaria Geral da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro. Arruda declarou que estava preparado para assumir o cargo e dar continuidade ao trabalho de seu antecessor, mas não esclareceu os pormenores dessa conversa. Ele ainda foi questionado se havia dado ordens para proibir a retirada dos manifestantes, respondendo que não se lembrava de ter feito essa afirmação, mas que sua posição era de manter a ordem.

“Ali estava um clima de nervosismo. A minha função era acalmar e falamos que tudo tinha que ser feito de maneira coordenada”, relatou Arruda, reforçando seu papel em um momento delicado. Ele também esclareceu que a reunião que discutiu as ações a serem tomadas foi com os ministros da Defesa, Justiça e Casa Civil do governo Lula.

O general Arruda foi nomeado para o cargo de comandante do Exército em dezembro de 2022, mas foi exonerado apenas 21 dias depois. Ao ser questionado sobre os motivos de sua exoneração, ele demonstrou desconhecimento, refletindo sobre a rapidez com que sua administração foi encerrada. Arruda foi um dos militares citados na denúncia que alega a elaboração de um “decreto golpista” por aliados de Bolsonaro, documento que teria sido entregue por Mauro Cid e Anderson Torres.

A situação política brasileira naquela época estava repleta de tensões, com manifestações polarizadas, e o papel das Forças Armadas na segurança e na manutenção da ordem era um assunto amplamente debatido. Arruda, por sua parte, destacou que seu foco sempre foi preservar a democracia e o estado de direito.