Da redação
A ex-presidente do Federal Reserve de Kansas City, Esther George, afirmou que Kevin Warsh é tecnicamente qualificado para assumir a presidência do Fed, mas destacou que seu maior desafio será demonstrar independência em relação ao presidente dos EUA, Donald Trump. Em entrevista ao Broadcast (Grupo Estado), George avaliou que Warsh precisa conquistar a confiança do público e do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), comprometendo-se com o mandato institucional do banco central norte-americano.
George, que se aposentou do Fed em 2023, disse não ver ameaça imediata à autonomia da instituição apenas com Warsh, mas mostrou preocupação com o ambiente político mais amplo, incluindo casos judiciais que envolvem a diretora Lisa Cook e o presidente Jerome Powell. Ela ressaltou que decisões da Suprema Corte sobre esses episódios podem afetar a estabilidade do banco central.
Defensora de cautela na política monetária, George afirmou que cortes de juros só devem ser considerados na segunda metade do ano. Segundo ela, a inflação acima da meta de 2% e sucessivas revisões nas projeções justificam a manutenção das taxas enquanto a economia demonstra resiliência.
Sobre o perfil de liderança de Warsh, George acredita que ele terá de adotar uma postura de escuta e busca de consenso dentro do FOMC, em vez de impor diretrizes. Questionada sobre a exclusão de Kevin Hassett para o comando do Fed, ela afirmou que dúvidas sobre a independência dos indicados surgem quando há alinhamento político excessivo.
Por fim, George avaliou que o mercado de trabalho aponta sinais de estabilização e que a inflação deve chegar ao pico no meio do ano, influenciada por tarifas. Ela alertou, porém, para a necessidade de monitorar o comportamento e a abrangência desse movimento inflacionário nos próximos meses.





