Da redação
Testemunhas da morte de Lorenzo Salgado, mexicano baleado por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) em Houston, afirmaram, por intermédio do advogado Hugo Balderas-Ibarra, que o homem não tentou atropelar agentes do ICE, em contradição à versão oficial do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.
Segundo o Departamento de Segurança Interna, os agentes do ICE tentaram abordar o veículo de Salgado, que teria tentado escapar da prisão, colidiu contra um carro policial e usou o veículo como arma ao tentar atropelar um agente, o que teria motivado o disparo em legítima defesa. Balderas-Ibarra, que representa duas das três pessoas detidas durante a operação, negou essa versão e declarou que, conforme seus clientes, não havia agente à frente do veículo e os disparos partiram das laterais, o que seria incompatível com a justificativa oficial.
A deputada democrata Sylvia García informou que conversou com o diretor interino do ICE, David Venturella, que confirmou que nem Salgado, nem seu irmão, que também estava no veículo, eram alvos da operação. Segundo García, o ICE procurava uma pessoa com ordem definitiva de deportação que, conforme agentes, teria entrado na caminhonete, mas Venturella admitiu não saber o nome do alvo nem identificar qual dos passageiros seria a pessoa procurada.
Balderas-Ibarra afirmou que Salgado não tinha antecedentes criminais, residia nos Estados Unidos há mais de 35 anos, era empresário e pai de filhos cidadãos norte-americanos. Conforme o advogado, o único “crime” de Salgado era coincidir com a descrição de outro homem que estava sendo procurado. A morte é o primeiro ataque letal de agentes federais desde os casos de Renee Good e Alex Pretti, em Minneapolis, cujas mortes ocorreram durante protestos contra operações do ICE.




