Torto vira o refúgio dileto de Lula para descanso e reuniões sigilosas


Da redação

Em recuperação da cirurgia de catarata realizada na sexta-feira, 30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por passar o fim de semana na Granja do Torto. A escolha reforça a preferência de Lula pela casa de campo da Presidência, utilizada com frequência neste terceiro mandato não só para descanso, mas também para reuniões e encontros que, muitas vezes, não constam na agenda oficial.

O isolamento da Granja do Torto, localizada a pouco mais de 13 km da Praça dos Três Poderes, favorece a discrição. Um exemplo foi a reunião entre Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, ocorrida em dezembro de 2025 para tratar das investigações envolvendo o Banco Master. O encontro só foi revelado na semana passada, após reportagem de O Globo.

Desde a transição para seu primeiro mandato, em 2002, por sugestão de Fernando Henrique Cardoso, Lula mantém vínculo com o local. Em gestões anteriores, o presidente utilizava a residência para eventos festivos, churrascos e festas juninas, sempre com muitos convidados, prática reduzida neste mandato. Pessoas próximas atribuem a mudança ao maior controle da primeira-dama Janja da Silva sobre a agenda do presidente.

Em 2023, a Granja do Torto foi reformada após reclamações de Lula sobre o abandono do local, crítica indireta ao ex-morador, Paulo Guedes, ex-ministro da Economia. Janja também se queixou do estado dos animais do local. No ano passado, o casal presidencial divulgou vídeo mostrando a revitalização da residência.

Além do descanso, Lula realizou recentes reuniões ministeriais e conversas com líderes estrangeiros a partir da Granja do Torto. Após a cirurgia, recebeu fora da agenda oficial os ministros Rui Costa, Sidônio Palmeira e Wellington Lima e Silva. A residência tem histórico de abrigar líderes, como Jânio Quadros e João Figueiredo, e foi usada por Dilma Rousseff antes de sua posse em 2011.