Da redação
A relatora especial das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, afirmou que a tortura contra crianças, mulheres e homens palestinos tornou-se sistemática, generalizada e doutrina de Estado em Israel. Segundo relatório divulgado nesta semana, a prática possui respaldo dos altos escalões do Executivo, Legislativo, Judiciário e da sociedade civil, integrando uma política de dominação colonial e genocídio.
O documento, com 23 páginas e baseado em mais de 300 depoimentos, relata que as torturas incluem estupros, fome induzida, privação de sono, queimaduras, afogamento simulado, espancamentos, choques elétricos, uso de cães de ataque e até violência sexual com objetos. Albanese aponta que, desde outubro de 2023, mais de 18,5 mil palestinos foram presos, incluindo 1,5 mil crianças, sendo que em fevereiro de 2024 havia 3,3 mil detidos sem acusação formal e 4 mil desaparecidos.
O relatório critica a impunidade: entre 2001 e 2020, mais de 1.300 denúncias de tortura resultaram em apenas duas investigações e nenhuma acusação. Apenas um caso foi a julgamento desde outubro de 2023: em fevereiro de 2025, um reservista foi condenado a sete meses de prisão por agressão. Em julho de 2024, um vídeo de um suposto estupro coletivo na prisão de Sde Teiman foi divulgado, mas os militares envolvidos foram inocentados, decisão celebrada pelo premiê Benjamin Netanyahu.
Albaneze alega que a escalada da tortura decorre de uma estratégia coordenada pelo ministro de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que impôs severas restrições e piora das condições carcerárias. Desde outubro de 2023, entre 84 e 94 palestinos morreram sob custódia israelense.
Israel nega as acusações, declarando que o relatório é ativista e antisemita, e acusa Francesca Albanese de desonrar a ONU. O governo afirma que a relatora deveria ter sido afastada e rejeita qualquer ação internacional baseada no documento.





