Da redação
A vice-promotora do Tribunal Penal Internacional (TPI), Nazhat Shameem Khan, denunciou ao Conselho de Segurança da ONU o agravamento da violência em Darfur, com destaque para tortura coletiva e ataques deliberados contra comunidades não árabes em El Fasher. Segundo ela, há uma campanha sistemática de sofrimento profundo e um aumento de crimes graves na região.
Khan destacou que a violência sexual, incluindo estupro, vem sendo usada como arma de guerra. “É inegável que a violência sexual está sendo empregada dessa forma”, afirmou. Ela ressaltou que os avanços nas investigações em Al Geneina devem ser acelerados, reforçando a necessidade de uma apuração sistemática e eficaz desses crimes como prioridade do tribunal.
A vice-promotora relatou que, em El Fasher, a tomada da cidade pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) agravou a situação dos residentes não árabes, que enfrentam estupros, detenções arbitrárias, execuções e enterros em valas comuns. Crimes de guerra e contra a humanidade, incluindo registros em vídeo celebrados pelos próprios autores, continuam ocorrendo devido à sensação de impunidade.
Shameem Khan destacou que o TPI está negociando com o governo do Sudão para superar barreiras culturais e de gênero que dificultam a denúncia desses crimes ao tribunal ou a outras instituições. Ela defendeu investigações e ações sensíveis às questões culturais e de gênero, com participação ativa da Unidade de Gênero e Crianças do gabinete do procurador.
Por fim, Khan pediu maior cooperação internacional, enfatizando que “quanto maior o apoio recebido, mais eficazes e rápidos serão os resultados”. Segundo ela, o TPI está pronto para trabalhar globalmente, apoiar vítimas e criar uma barreira de responsabilização para evitar a escalada das atrocidades em Darfur.






