Da redação
No Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores do Campo, celebrado nesta sexta-feira (17), a precarização do trabalho rural segue como desafio no Brasil, segundo Alessandra Bambirra, auditora-fiscal do Trabalho e representante do Sinait/MG, em entrevista à Agência Brasil. Ela alertou para a persistência de grandes desigualdades e vulnerabilidades enfrentadas por trabalhadores rurais, mesmo com o avanço da mecanização agrícola.
Bambirra destacou que, comparados aos trabalhadores urbanos, os rurais têm menos acesso à educação, informação e internet. Segundo ela, as fiscalizações seguem encontrando situações de extrema precariedade, incluindo casos de condições degradantes e ausência de garantias mínimas de dignidade no campo.
O trabalho análogo à escravidão ainda está presente no país, principalmente no meio rural, onde se observam jornadas exaustivas, moradias precárias e servidão por dívida. Em Minas Gerais, que lidera o combate a essa prática, foram realizadas 783 ações fiscais em 2023, identificando 2.063 trabalhadores irregulares e 3.964 infrações vinculadas à saúde e segurança do trabalho.
Recentemente, operações resgataram 59 trabalhadores de lavouras de café no Sul e Centro-Oeste de Minas e 18 pessoas, inclusive crianças e adolescentes, de condições degradantes em carvoarias no Norte do estado. Muitos são atraídos por “gatos” de regiões vulneráveis do próprio estado e do Nordeste.
Alessandra defendeu políticas públicas eficazes e maior responsabilização das cadeias produtivas, ressaltando que grandes empresas de café, cana, cacau e sisal começam a buscar certificação para processos livres de exploração. O Brasil, reconhecido pela OIT pelo seu modelo de Previdência Rural, mantém esforços de monitoramento e combate à informalidade e à escravidão contemporânea, integrando ações do Ministério do Trabalho e Empego e dos observatórios do trabalho.






