Trabalhadores sofrem com aumento das tarifas do Entorno; “Tô quase indo para rua”

Da redação do Conectado ao Poder

O Conectado ao Poder esteve na Rodoviária do Plano Piloto e conheceu algumas histórias de trabalhadores do Entorno que acabaram penalizados com o aumento das tarifas de ônibus.

“Infelizmente eu tô quase indo para rua. Porque aumentou e a firma não quer saber. Eles vão dar prioridade para quem mora no DF”. Elisabete Mendes (56) é moradora da Cidade Ocidental, um dos 8 municípios do entorno de Goiás que teve, pela segunda vez no ano, aumento das tarifas de ônibus.

A empregada doméstica conta que desde a decisão da ANTT em aumentar em 15% no valor do transporte está tendo que arcar com a diferença com o dinheiro de seu próprio orçamento familiar. Ela ainda acrescenta, sem esperanças, que caso seu empregador não queira aumentar o valor do vale transporte, terá de sair do emprego. “Tem mais de 20 anos que eu estava desempregada, voltei tem quase 3 anos, e já vou desistir“, frisou a entrevistada.

Jaqueline Ferreira (22) vem diariamente para o Distrito Federal trabalhar como garçonete. A trabalhadora contou que, no seu ponto de vista, o aumento do valor do transporte é uma injustiça com a população do Entorno. “Um abuso. Porque aumenta a passagem, mas não aumenta a condição. Cada vez mais aumenta, mas cada vez mais os ônibus estão lotados, vem em piores condições do que já estão. Porque se pelo menos aumentasse, mas desse condições melhores, mas isso não acontece“, opinou.

Em entrevista ao jornalista, Sandro Gianelli, a secretária do entorno, Caroline Fleury destacou que não concorda com a decisão da ANTT. Carol ainda explica que a melhor solução para o transporte da região seria uma parceria que subsidiaria o valor da tarifa. “Nós repudiamos esse aumento de forma muito forte que a população não tem como arcar com isso. O governo do Estado de Goiás desde o início do ano vem propondo a criação do consórcio para que cada um, Governo de Goiás, do Distrito Federal e a União, cada um entrando com um terço do valor necessário para subsidiar essas passagens assim como é feito tanto em Brasília, como na região metropolitana de Goiânia”.

A secretária reforça que o Governo de Goiás vai continuar lutando pela mobilidade urbana do estado e pelas causas da população do Entorno. “É urgente que seja criado e seja feito (consórcio) para região do entorno por uma questão de justiça, né? Com a população que tem pegado ônibus extremamente de péssima qualidade e muito caros. Então nós vamos continuar fazendo força e cobrando das autoridades, dos envolvidos, dos atores necessários para que isso saia o mais rápido possível”, frisou.

Rui Rodrigues (31) mora em Novo Gama, é um dos personagens penalizados com a decisão da ANTT. Após o aumento da tarifa o engenheiro civil acabou demitido, assim como o irmão. Por sorte, ele já conseguiu ser contratado por outra empresa, mas ainda nutre esperanças de um futuro melhor para os moradores da região. “Essa é a vida do brasileiro. A gente não pode reclamar e nem achar ruim. A gente tem que se unir para ajudar o Brasil, para ajudar o nosso entorno”, destacou.

O Conectado ao Poder entrou em contato com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Questionou a empresa acerca da motivação de tal decisão, se existe a possibilidade de mais algum aumento ainda neste ano e a expectativa por melhorias no transporte, mas até o final desta matéria não obteve resposta.

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui