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Trump avança no culto à própria personalidade com rosto estampado em prédios públicos


Da redação

Washington vive um intenso culto à personalidade de Donald Trump, hoje presidente dos Estados Unidos. Banners com sua imagem foram instalados em diversos prédios públicos, e instituições renomadas passaram a carregar seu nome, como o Kennedy Center, agora rebatizado como Trump-Kennedy Center. O presidente também colocou seu nome no Instituto da Paz, numa iniciativa que, segundo Trump, foi uma surpresa do secretário de Estado, Marco Rubio. No Departamento de Justiça, um novo banner exibe o rosto de Trump ao lado do slogan “Make America Safe Again” (“Faça a América Segura Novamente”).

A prática, segundo especialistas, remete a regimes autoritários como o da Coreia do Norte. “Ditadores querem controlar a mídia e a imagem apresentada ao público,” avalia Thomas Whalen, professor da Universidade de Boston. Ele aponta que Trump pressiona emissoras via FCC e ameaça licenças de transmissão, somando-se aos banners nessa estratégia de consolidar sua autoridade.

A proximidade do Departamento de Justiça com Trump também causa controvérsia. A secretária Pam Bondi tem elogiado abertamente o presidente, afirmando inclusive que ele seria “o melhor presidente da história dos EUA”. O órgão, este ano, processou Harvard por não fornecer ao governo federal dados de admissão, em uma ofensiva que a universidade classifica como retaliação inconstitucional.

O rosto de Trump aparece ao lado de presidentes históricos em outros departamentos: no da Agricultura, ao lado de Abraham Lincoln; no do Trabalho, ao lado de Franklin Roosevelt. O escritor Kurt Andersen considera a situação “bizarra” e destaca que Trump explora brechas normativas para avançar nessa agenda de autopromoção.

Para Thomas Whalen, “fazer isso ainda no cargo é audacioso, nunca foi tentado antes e lembra cultos de personalidade como os de Stálin e Mao.” Ele lamenta: “Lutamos para acabar com o culto à personalidade neste país. Somos um país de leis, não de homens. Trump está revertendo isso, tornando todos os americanos súditos, não cidadãos.”