Da redação
A aliança entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as grandes empresas de tecnologia reacendeu preocupações no Brasil sobre a influência das plataformas digitais nas eleições presidenciais de 2026. Em entrevista à REVISTA CENARIUM em 5 de fevereiro de 2026, a cientista política Andressa Michelotti alertou que o fortalecimento das Big Techs, somado ao avanço da inteligência artificial, pode dificultar o combate à desinformação e ameaçar a soberania nacional.
Segundo Michelotti, o primeiro ano do segundo mandato de Trump marcou uma mudança significativa na relação entre seu governo e as empresas de tecnologia. “Se o primeiro mandato foi marcado por tensões com as Big Techs, o segundo consolidou a renovação do pacto entre essas empresas e o governo norte-americano”, afirmou. Ela destacou que esse movimento começou antes da volta de Trump à Casa Branca, com a compra do Twitter por Elon Musk em 2022 e mudanças de políticas anunciadas pela Meta em 2025.
Para a pesquisadora, a autonomia das plataformas digitais ganhou o respaldo direto da Casa Branca. “A administração Trump compreende a hegemonia algorítmica dos Estados Unidos como um pilar de poder geopolítico inegociável”, disse Michelotti, ressaltando que as empresas do setor avaliam se devem seguir ou desafiar regras de outros países.
O tema também esteve presente em conflito diplomático entre Brasil e EUA em 2025, quando Trump impôs uma sobretaxa de 50% a produtos brasileiros, justificando “ordens de censura secretas e ilegais” contra plataformas norte-americanas, relacionadas a processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Com a proximidade das eleições de 2026, o papel dessas plataformas retorna ao centro do debate, agravado pelo uso de inteligência artificial generativa.
Pesquisas publicadas na Harvard Kennedy School Misinformation Review e no International Journal of Public Opinion Research indicam que as plataformas digitais foram centrais na disseminação de desinformação durante as eleições brasileiras de 2022. O levantamento mostrou que redes como WhatsApp, X (ex-Twitter) e Kwai ampliaram o alcance de conteúdos enganosos, dificultando o rastreamento das informações falsas e evidenciando limitações estruturais no combate à desinformação eleitoral.








