Trump transforma Minnesota em vitrine política ao levar o ICE a reduto democrata


Da redação

O ex-presidente Donald Trump tem direcionado críticas contundentes a Minnesota, especialmente ao governador democrata Tim Walz, a quem classificou de “incompetente”, e à comunidade somali local, alvo de comentários xenófobos, como a alegação de que imigrantes do estado seriam “pessoas com QI baixo” que “não contribuem com nada”. Sob seu governo, cerca de 2.000 agentes do ICE intensificaram operações de imigração no estado, ação vista por especialistas como movida por interesses políticos, já que Minnesota está longe de liderar os índices nacionais de imigrantes em situação irregular.

Segundo o Pew Research Center, Minnesota ocupa apenas a 23ª posição entre os estados com mais imigrantes sem documentação: são cerca de 130 mil pessoas, 2,2% da população. Em estados como Texas e Califórnia, os percentuais chegam a 14% e 21%, respectivamente. Pedro Santos, professor brasileiro nos EUA, avalia que Trump utiliza Minnesota como “bode expiatório” e militariza uma revanche política, especialmente contra regiões governadas por democratas.

Silvia Pedraza, professora da Universidade de Michigan, aponta que o foco das operações está nas “cidades gêmeas” de Minneapolis e St. Paul, tradicionalmente progressistas e berço de comunidades de imigrantes, enquanto o interior do estado é mais conservador. Minnesota vota majoritariamente em candidatos democratas desde 1932, com apenas três exceções.

A ofensiva federal se intensificou a partir de dezembro, gerando protestos após episódios como as mortes de dois cidadãos americanos durante as operações. A atuação do ICE foi parcialmente reconfigurada após críticas e vigilância popular, mas segue com abordagens alternativas nas ruas. Paralelamente, o estado enfrenta investigação bilionária sobre fraudes em programas públicos, envolvendo empresários, alguns de origem somali, o que Trump tem usado para reforçar seu discurso.

A pressão política resultou na desistência de Walz da reeleição, enquanto aliados de Trump citam os escândalos como falhas administrativas. O governo local afirma colaborar com investigações e sustenta que casos pontuais não comprometem as instituições. Políticas liberais do estado, como liberação do uso recreativo de maconha e garantias ao aborto, também são motivos de atrito.