Da redação
O Tribunal Superior Eleitoral decidiu manter no ar a reportagem da revista Veja que reúne acusações de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sobre supostos pagamentos relacionados ao acesso a fundos de pensão de estatais. A decisão do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, considerou que “em exame preliminar, não identifico elementos suficientes para a retirada da reportagem e das publicações que a reproduzem”.
De acordo com Nunes Marques, a matéria atribui a Vorcaro o núcleo das acusações, inclui a negativa do candidato citado e apresenta ressalvas relevantes. O ministro também avaliou que, apesar de a revista fazer afirmações próprias, não constatou “falsidade perceptível de plano ou descontextualização grave” que justificasse a remoção dos conteúdos neste momento. A decisão tem caráter provisório.
Segundo a reportagem, Vorcaro relatou à Procuradoria-Geral da República ter destinado cerca de R$ 30 milhões, “por fora”, ao financiamento de um documentário sobre Lula, dirigido por Oliver Stone, além de mencionar pagamentos ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto. Ele afirmou que os valores fariam parte de um acordo para acessar fundos de pensão de servidores públicos, detalhando que João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, teria exigido comissão de 10% sobre recursos captados junto a fundos ligados à Caixa, Banco do Brasil, Petrobras e Correios.
Vorcaro disse que sua aproximação com Vaccari ocorreu por intermédio de Augusto Lima, então executivo do Master, e de integrantes do PT da Bahia. A reportagem aponta também a atuação de Olavo Noleto, ex-secretário-executivo de Alexandre Padilha, na aproximação entre o banco e os fundos públicos. Segundo Vorcaro, o objetivo era captar até R$ 10 bilhões, com uma fatia de 10% para intermediários políticos, porém a tentativa não avançou devido à resistência de gestores da Caixa Asset e à repercussão de notícias sobre o tema. Após a publicação, aliados de Lula contestaram as acusações e a interpretação dos materiais.




