Da redação
Em informe apresentado ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Genebra, o alto-comissário Volker Turk alertou para o agravamento da crise no Sudão do Sul. Segundo Turk, o país enfrenta um aumento alarmante da violência e incertezas políticas, colocando o acordo de paz sob forte pressão.
Ataques realizados nos últimos três meses por forças governamentais, oposição e milícias atingiram áreas residenciais em vários estados, incluindo Alto Nilo, Jonglei, Unidade e Warrap. Só no norte de Jonglei, mais de 280 mil pessoas foram forçadas a fugir, após casas, escolas e postos de saúde serem atingidos. O escritório do Alto Comissariado documentou 189 mortes de civis apenas em janeiro e um aumento de 45% nas violações e abusos de direitos humanos em relação a dezembro.
Volker Turk destacou episódios graves, como o ataque em Ayod, Jonglei, no qual forças governamentais e milícias aliadas mataram 21 civis desarmados, incluindo mulheres e crianças. A disciplina militar entrou em colapso em regiões como Jonglei e Eastern Equatoria, com descaso pela proteção de civis. Em 2025, foram registradas mais de 5,1 mil vítimas entre mortos e feridos, além de mais de 250 casos de mulheres e meninas vítimas de violência sexual, e 550 civis raptados.
O alto-comissário também chamou atenção para o aumento do discurso de ódio e casos de incitamento à violência contra comunidades étnicas. Uma gravação autenticada mostra um alto oficial militar incentivando ataques a alvos civis. Em 2025, foram registrados 27 casos de intimidação e detenções arbitrárias de jornalistas e defensores de direitos humanos.
A crise humanitária se ampliou, com mais de 10 milhões de pessoas precisando de assistência e 7,5 milhões enfrentando insegurança alimentar. A chegada de 1,3 milhão de refugiados vindos do Sudão agravou a situação. Turk apelou pelo fim imediato das hostilidades, respeito ao direito internacional e retomada do diálogo, além de reforçar o pedido de apoio internacional ao povo do Sudão do Sul.






