Da redação
Mulheres grávidas e recém-nascidos estão entre os mais afetados pelos ataques a infraestruturas críticas na Ucrânia. Cortes de eletricidade, aquecimento e água atingem milhões de pessoas em pleno inverno. Nos últimos meses, ataques russos provocaram falhas generalizadas no fornecimento de energia em todo o país. Com temperaturas até -20ºC, a pressão sobre hospitais e serviços de maternidade aumentou.
No Centro Perinatal Regional de Kyiv, uma cesariana ocorreu durante um corte súbito de energia. A médica Nataliia Heints recorda que, apesar da falha, a equipe continuou o procedimento. Segundo ela, iluminação das salas de cirurgia, sistemas de oxigênio, incubadoras e armazenamento de sangue dependem de fornecimento elétrico estável.
A eletricidade é crucial para manter o calor necessário à sobrevivência dos recém-nascidos. Na unidade neonatal, incubadoras de transporte levam os bebês das salas de parto aos cuidados intensivos, protegendo-os do frio. Profissionais alertam que a temperatura corporal pode cair rapidamente nos primeiros minutos após o parto. Para mitigar riscos, o hospital mantém uma “cadeia térmica” com incubadoras móveis e fixas, salas aquecidas e cobertores. Cortes de energia ameaçam essa cadeia e o problema continua após a alta. Iryna, grávida do segundo filho, relata não ter energia de reserva em casa nem tempo para aquecê-la.
Profissionais de saúde afirmam que o conflito alterou os padrões de nascimento, com aumento de partos prematuros associado ao stress agudo e prolongado. Em zonas da linha da frente, essas taxas são descritas como o dobro da média nacional. Também há mais emergências obstétricas potencialmente fatais, como hipertensão e rutura uterina.
Segundo Heints, este é o período mais difícil, emocional e fisicamente. “Apesar do mau tempo, dos bombardeamentos ou dos alertas aéreos, temos de nos recompor e ir trabalhar, deixando filhos ou netos em casa.” Com apoio do Unfpa, o centro instalou um sistema de energia de reserva em camadas, com painéis solares e gerador. As soluções são dispendiosas, exigem combustível, baterias, manutenção e pessoal adicional. O Unfpa apoia outras maternidades com energia de reserva e insumos essenciais de saúde sexual e reprodutiva.








