Da redação
Ucrânia e Rússia retomaram nesta quinta-feira (5) as negociações de paz em Abu Dhabi, contando com a mediação de representantes dos Estados Unidos. O diálogo ocorre em meio à pressão de Moscou, que tenta impor suas condições a Kiev, sobretudo a exigência de que a Ucrânia ceda a totalidade da região do Donbass em troca de um possível congelamento da linha de frente.
Segundo o principal negociador ucraniano, Rustem Umerov, as conversações seguem “nos mesmos formatos de ontem: consultas trilaterais, trabalho em grupo e posterior alinhamento de posições”. Após o primeiro dia de reunião, Kiev classificou as discussões como “substanciais e produtivas”, mas reconheceu que o único avanço concreto foi a perspectiva de uma nova troca de prisioneiros em breve.
O negociador russo Kirill Dmitriev declarou nesta quinta-feira que “definitivamente há um avanço”. Entretanto, as exigências do Kremlin lançam dúvidas sobre o sucesso dos esforços diplomáticos liderados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Enquanto o regime de Kiev não tomar a decisão adequada, a operação militar especial continuará”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
O presidente ucraniano Volodimir Zelensky destacou a gravidade do conflito, afirmando que a guerra já causou “um grande número de desaparecidos” e “55.000 militares ucranianos mortos”, em número inferior às estimativas ocidentais. Ele afirmou também que Kiev se recusa a ceder territórios da região leste.
Enquanto as negociações prosseguem, a Rússia reforçou ataques contra infraestrutura ucraniana, deixando milhares de civis sem aquecimento e eletricidade em meio ao inverno rigoroso. Em Kiev, moradores se mostram céticos quanto ao acordo. Já em Moscou, há quem espere pelo fim do conflito.





