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Unidade de saúde leva atendimento a comunidade isolada do AM e elimina longas jornadas de dias por assistência médica


Da redação

Na semana em que o mundo celebrava uma missão histórica em torno da Lua, comunidades ribeirinhas do sudoeste do Amazonas comemoraram um marco essencial para suas vidas: a inauguração do primeiro posto de saúde na comunidade do Ubim, dentro da reserva extrativista do rio Gregório, município de Eirunepé, a 2.417 km de Manaus. Até então, os 242 núcleos familiares de 17 comunidades precisavam viajar de três a seis dias de barco para acessar atendimento médico, situação que resultou em mortes e amputações.

O novo ponto de apoio integra o projeto SUS na Floresta, realizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com BNDES, Fundo Vale, Idis e Prefeitura de Eirunepé. Outras cinco unidades, em construção, devem beneficiar mais de 6.000 pessoas em reservas dos municípios de Carauari, Itapiranga, Novo Aripuanã e Uarini.

A reportagem acompanhou a difícil jornada até o local: dois voos seguidos de 13 horas de lancha para percorrer 1.160 km. O atendimento combina visitas periódicas de equipes de saúde e telemedicina, viabilizada pela internet via Starlink. Nos intervalos entre as visitas bimestrais de médicos e enfermeiros, uma técnica de enfermagem e um agente comunitário permanecem no local com apoio remoto.

O posto dispõe de medicamentos, incluindo soro antiofídico, e material para emergências e atendimento de crianças, gestantes e crônicos. “Queremos trabalhar a equidade, princípio essencial do SUS”, afirmou Nataly Rodrigues, secretária municipal de Saúde. Já a diretora de investimento social da Vale, Flávia Constant, frisou que “a iniciativa busca enfrentar a invisibilidade” das populações isoladas.

Moradores relatam anos de improviso para tratar acidentes e doenças graves devido à longa distância até o serviço médico. “Ter um posto aqui é a realização de um sonho”, resume Eupídio Rodrigues da Silva, de 43 anos, morador local. A prefeita Áurea Maria Ester Marques (MDB) garantiu a manutenção da unidade, destacando o desafio de tornar a assistência à saúde uma política de Estado.