Da redação
O uso de inteligência artificial para resolver lições de casa é associado à piora do desempenho em exames escolares entre estudantes de 12 a 18 anos, segundo pesquisa conduzida por David Strömberg, Victor Lei e Yanhui Wu, da Universidade de Hong Kong, com mais de 25 mil alunos chineses. O estudo, divulgado pelo Centro de Pesquisa de Política Econômica (CEPR), acompanhou por 30 meses a adoção espontânea dessas ferramentas nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, revelando que quem passou a utilizar a IA apresentou desempenho 20% inferior em provas mensais em comparação a colegas que não empregaram a tecnologia.
Conforme os pesquisadores, os prejuízos foram mais expressivos em disciplinas de humanas (queda de 27%), seguidas por exatas (22%). Em línguas estrangeiras, o desempenho foi 17% menor em inglês e 9% em chinês entre usuários de inteligência artificial. O desempenho em exames de acesso ao ensino médio e à universidade também foi impactado: notas 24% menores no Zhongkao e 18% inferiores no Gaokao para quem utilizou IA ao menos dois anos antes das provas.
Os dados sobre desempenho foram obtidos por meio de registros administrativos das autoridades locais, enquanto a data de adesão de cada aluno à inteligência artificial foi informada em questionários enviados pelas escolas. Os pesquisadores apontam que a autodeclaração se mostrou confiável, pois os efeitos observados nas notas coincidiram com as datas informadas pelos próprios estudantes.
Os resultados indicam que, apesar de o uso da IA reduzir o tempo gasto com tarefas domiciliares e elevar as notas em lições de casa — que tiveram alta de 18% após seis meses de uso —, há grande correlação entre a diminuição do tempo de estudo, a melhora artificial nas tarefas e a queda de desempenho em provas sem consulta. Segundo Strömberg, a delegação excessiva impede a construção de habilidades fundamentais para a aprendizagem.





