Da redação
A comunidade venezuelana que vive há mais de dez anos em São Sebastião, no Distrito Federal, enfrenta clima de medo após paredes de suas casas amanhecerem pichadas com frases xenofóbicas, como “Fora venezuelanos” e “Trump apoiado”, na última quarta-feira. O caso mobilizou ONGs que atuam com migrantes, preocupadas com o risco de avanço do discurso de ódio no Brasil, país reconhecido internacionalmente pelo acolhimento a refugiados.
Venezuelanos relataram medo de sair de casa, já que o autor das pichações não foi identificado. Segundo uma líder da comunidade, este foi o primeiro episódio de agressão em mais de dez anos de presença venezuelana na região. “Reconhecemos o acolhimento que temos aqui em São Sebastião. Nunca tinha visto um ato de xenofobia como este”, afirmou, sob anonimato.
O episódio acionou entidades como a CNBB, que mantém o projeto Casa Bom Samaritano para acolher refugiados venezuelanos. Segundo Dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da CNBB, “temos que visibilizar a importância dessas pessoas ao nosso redor e mostrar o lado positivo de acolhê-las”. Ele destacou que 90% das famílias atendidas saem do projeto com casa, trabalho e educação para os filhos, apesar de cortes de financiamento dos EUA em 2025.
Dados do relatório “Refúgio em Números 2025” revelam que, em 2024, 39,8% dos pedidos de refúgio foram de venezuelanos, que representam 82,6% do total na última década. Pela Operação Acolhida, entre 2018 e 2025, mais de 156,65 mil migrantes foram encaminhados a 1.112 municípios brasileiros.
Pesquisa Ipsos de 2025 aponta que 79% dos brasileiros apoiam o direito de refúgio, superando a média global. Miguel Pachioni, da Acnur Brasil, alerta, porém, para o risco da normalização do discurso xenófobo. “Quando a visão de estereótipos prevalece, pessoas que precisariam de proteção passam a ser vistas como ameaças”, afirmou, defendendo políticas públicas para integração dos migrantes.







