Da redação
O estado de São Paulo confirmou, no último dia 11, o primeiro caso de sarampo de 2026: um bebê de seis meses contaminado durante uma viagem à Bolívia em janeiro. A criança ainda não havia tomado a vacina, pois não tinha alcançado a idade recomendada para o imunizante. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, só é aplicada a partir dos 12 meses, já que, até essa idade, os anticorpos maternos interferem na resposta à vacina.
Segundo o infectologista pediatra Renato Kfouri, o fato de o bebê receber anticorpos da mãe durante a gestação não garante proteção total contra a doença: “Nem sempre eles são suficientes para prevenir a doença”. Por isso, crianças menores de um ano ficam mais vulneráveis ao sarampo. Para bebês entre seis meses e um ano que viajarão a regiões com surto, recomenda-se a chamada “dose zero” da vacina, que oferece proteção parcial, mas não substitui as duas doses do calendário nacional obrigatório, aplicadas aos 12 e 15 meses.
Em 2025, o número de casos de sarampo nas Américas saltou para 14.891 em 13 países, aumento de 32 vezes em relação a 2024, segundo a Opas. A Bolívia registrou 597 casos e segue com transmissão ativa; nos Estados Unidos, houve 2.242 casos e três mortes, enquanto no Brasil foram confirmados 38 casos, sendo dez importados.
A “dose zero” não faz parte do calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e só é disponibilizada em caso de surto, explica Eder Gatti, diretor do PNI. Em situações normais, famílias que desejam aplicar a vacina precocemente precisam recorrer à rede privada.
Especialistas recomendam consultar o pediatra antes de qualquer viagem com bebês e avaliar possíveis antecipações de vacinas. A atualização das vacinas é fundamental para proteção, seja para viagens nacionais ou internacionais, alertam médicos.







