Da redação
Aos 17 anos, Limiha Impelua, estudante da 7ª classe em Maputo, Moçambique, desafia os estigmas do autismo. Fã de videogames e heróis de ficção, ele relata à ONU News que pratica esportes, colabora nas tarefas domésticas e busca viver com independência ao lado da mãe, Cristabela Impalua. No entanto, a trajetória de inclusão nem sempre foi fácil: há nove anos, uma escola pública o considerou “incapacitado” de estudar, após diagnóstico de autismo.
Neste 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, Limiha atribui sua superação ao apoio da Associação Nacional para Educação, Reabilitação, Capacitação e Inclusão, Cerci. “Com autismo as pessoas poderiam ser pessoas anormais. Mas somos inteligentes, especiais e capazes de fazer qualquer coisa especial”, afirma o jovem, que sonha em ser líder para proteger meninas e mulheres, com ações voltadas especialmente à África, Brasil e Estados Unidos.
A mãe de Limiha, viúva e profissional de saúde, relembra o longo caminho até o diagnóstico, feito apenas aos oito anos após atraso na fala e sessões de terapia. Antes disso, atribuíam sinais de hiperatividade e noites de choro a questões passageiras. Cristabela destaca a importância de não esconder filhos autistas e buscar ajuda: “Tudo é possível. Não escondam. Porque se eu escondesse o meu filho não seria como está agora.”
O espaço de reabilitação Cerci trabalha em parceria com iniciativas públicas e privadas para garantir educação inclusiva e apoio à comunidade. Segundo as Nações Unidas, a data instituída há 19 anos visa combater o silêncio e estimular o debate público sobre autismo.
Na mensagem deste ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatiza o direito das pessoas autistas serem protagonistas de suas vidas. O tema global de 2026, “Autismo e Humanidade – Toda Vida Tem Valor”, reforça a importância da inclusão e da valorização da dignidade de todos no espectro.







