Por Sandro Gianelli
Presidente da Câmara Legislativa rebate declarações sobre despejo de famílias no Lúcio Costa e acusa adversário de oportunismo eleitoral

O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), deputado distrital Wellington Luiz (MDB), respondeu duramente às críticas feitas pelo presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, em vídeo publicado nas redes sociais. A polêmica envolve o despejo de famílias na região do Lúcio Costa, zona de ocupação irregular alvo de decisão judicial de reintegração de posse.
Pré-candidato ao Palácio do Buriti, Cappelli afirmou que o governo do Distrito Federal estaria favorecendo a especulação imobiliária e cobrou posicionamento de Wellington Luiz sobre a retirada das famílias. O presidente da CLDF não deixou barato. “Se você for usar o meu nome pra se promover, eu vou bater também, viu?”, disparou o parlamentar, em resposta direta ao vídeo de Cappelli.
Wellington Luiz também deixou claro que já atua no caso desde o início e que não tem interesse em “se expor politicamente” com o sofrimento das famílias. “Estou ajudando essas famílias desde o começo e não preciso aparecer para isso”, afirmou. Em tom desafiador, mandou um recado ao ex-interventor de Brasília: “Se quiser brigar, estou pronto”.
A crise entre os dois ganhou contornos ainda mais intensos pela proximidade do período eleitoral. Aliado do ex-governador Rodrigo Rollemberg, Cappelli tenta se projetar como alternativa política no DF e tem adotado discurso combativo nas redes sociais. A interlocutores, Wellington teria dito que não aceitará ver seu nome envolvido em “manobras políticas” do adversário.
O caso do Lúcio Costa tem gerado forte repercussão na capital. As remoções foram realizadas com apoio da força policial, conforme previsto em ações de desocupação de áreas públicas. Segundo o GDF, as famílias foram notificadas previamente e houve assistência da Câmara Legislativa.
Apesar disso, Cappelli usou o episódio para reforçar sua crítica ao governo local. “Ele quer fazer graça política com uma situação delicada”, acusou um interlocutor próximo de Wellington Luiz.
Nos bastidores, a troca de farpas é vista como antecipação da disputa eleitoral de 2026. Wellington Luiz, que ganhou notoriedade na presidência da CLDF, é considerado nome de peso no tabuleiro político do DF. Já Ricardo Cappelli, ex-secretário-executivo do Ministério da Justiça e interventor federal em Brasília após os ataques de 8 de janeiro, tenta consolidar sua imagem como gestor firme e sensível às pautas sociais, mesmo não emplacando nas pesquisas de intenções de voto.





