Ano letivo já chega à metade e ainda há estudantes sem livros

20150617011250Apenas no Guará, três colégios enfrentam o problema. Demanda de alunos superou a expectativa.

No fim do primeiro semestre, ainda há turmas de escolas públicas   sem livros. Diante disso, os alunos se viram como podem: tiram cópias do material didático   de colegas e até enviam  fotos de exercícios e textos pelo Whatsapp e Facebook. Mesmo assim, a carência atrasa as aulas, além de  prejudicar o estudo em casa.

No Centro Educacional 1, na QE 36  do Guará II, duas turmas do 2º ano do Ensino Médio estão sem livros de diversas disciplinas, entre elas Matemática, Química, Física e História. Apesar do começo tardio do ano letivo, 23 de fevereiro, o material, solicitado há quase um ano, não chegou a tempo. De acordo com o diretor da escola, Eustáquio Pessoa, o problema se deve a uma falha de logística no sistema de compra.

“Em agosto, precisamos solicitar os livros para o ano seguinte, porque precisa de um prazo de 90 dias para   chegar. O problema é que as turmas só são formadas em outubro ou novembro. Dessa forma, os livros são solicitados antes que saibamos ao certo quantos alunos teremos”, explica.

Mais alunos

Pessoa conta que o material é pedido com base no número de estudantes do ano anterior, mas   sempre se coloca  um excedente de 10%, o que não adiantou. “Neste ano, tivemos que alocar mais 70 alunos. Antes, tínhamos três turmas com uma média de 35 alunos cada e, neste ano, temos cinco”, relata.

Segundo o diretor, todas as escolas estão trabalhando no limite, o que impede as costumeiras permutas de livros. “Trocávamos os títulos repetidos, negociávamos com escolas, mas, neste ano, ninguém tem. Não tínhamos sequer mesas e cadeiras”, comenta.

A saída encontrada  foi fazer um mutirão para arrecadação de livros usados. “A cada três anos, eles precisam ser trocados. Durante o período de uso, os estudantes precisam devolvê-los no final do ano. Após  os três anos, porém, pedimos que eles fiquem com os livros, pois não temos onde alocar esse material. Em função do problema, estamos pensando em fazer uma campanha para que  tragam os modelos antigos. É melhor do que nada”, acredita.

Pessoa diz que já cobrou a Secretaria de Educação, mas  o órgão alega  um problema na solicitação.

Estudantes e mestres fazem como podem

Sabrina Caixeta, 17 anos, e seus colegas fazem o que podem para não serem prejudicados neste período de pré-vestibular. “Muitas vezes, os colegas tiram fotos dos exercícios e nos mandam pelo celular para podermos responder, mas ler no celular sem os textos de apoio é complicado”, conta Sabrina. Ela acrescenta que o professor tira cópias e deixa os alunos acompanharem pelo livro dele ou irem à biblioteca pegar material de apoio. “Sinto que somos prejudicados em relação às outras turmas com essa falta de material”, completa.

No Centro Educacional 3, mais conhecido como Centrão, no Guará, a situação é parecida. Vidal Costa, auxiliar administrativo responsável pela biblioteca, diz que há carência de livros em três turmas do 2º ano e uma turma do 1º ano do Ensino Médio, um total de cerca de 120 exemplares. “Estamos utilizando o material do ano passado nas outras turmas, mas não tem para todos”, comenta. A diretora do Centrão, Renata Moura, diz que a solução encontrada é fazer uma espécie de banco de livros: “O professor distribui para os alunos durante a aula, eles usam e  devolvem”.

No Centro de Ensino Fundamental 10, também no Guará, a vice-diretora, Elisabete Neves, diz que “a equipe faz levantamento para saber quantos alunos estão sem material”.

“Inaceitável”

Luís Cláudio Magiorin, presidente da Associação de Pais e Alunos das Escolas do DF (Aspa), classifica a situação como “inaceitável”. “Isso aconteceu no ano passado pelo mesmo motivo. Tem responsabilidade da Secretaria de Educação, mas tem também do FNDE. É uma perda enorme para os alunos”, comenta.

Versão oficial

Em nota, a Secretaria de Educação disse que os livros didáticos usados nas escolas da rede pública são advindos do Programa Nacional do Livro Didático, do Ministério da Educação, que os compra diretamente das editoras. “A distribuição é feita por contrato entre o FNDE e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, que leva os livros da editora às escolas. Houve problema técnico na solicitação encaminhada ao FNDE, o que não permitiu a entrega do material, além da indisponibilidade na reserva”. A pasta garante que o problema está sendo solucionado, com previsão de restituir livros ainda esta semana.

 Fonte: Jornal de Brasília

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