Sem acordo, adesão à greve dos servidores aumenta

20151026235017Detran deve parar hoje, e Metrô e Novacap, na próxima semana. Sindicatos repercutem pesquisa.

Em greve há mais de duas semanas, os servidores públicos do Distrito Federal não têm previsão de voltar ao  trabalho, e a tendência é intensificar   o movimento. Todas as categorias recusaram a proposta apresentada pelo governador Rodrigo Rollemberg  na última sexta- feira, de   começar  a pagar os reajustes, aprovados em 2013, somente em outubro de 2016.

Com isso, a população é a mais prejudicada. Entretanto, a greve dos servidores divide a população. De acordo com a pesquisa do Instituto Exata de Opinião Pública (Exata OP),   publicada na edição de ontem do JBr., 48% dos entrevistados acham justo o movimento dos servidores, contra 37% que consideram a greve abusiva e 13% que a avaliam como inútil.

Além disso, 82% dos entrevistados defendem a criação de uma lei que regulamenta as paralisações no serviço público e 73,8% acreditam que o governo deveria ceder e buscar algum tipo de compensação para os servidores.

Novas adesões

E a situação tende a piorar. Os servidores do Departamento de Trânsito (Detran-DF) também vão entrar em greve hoje, afetando  todos os serviços.  “Vamos parar tudo por dois dias. Depois, faremos uma reunião com o governo para estabelecer um cronograma das atividades que continuarão acontecendo, que deve ser de remoção de veículos após acidentes”, explicou  Fábio Medeiros, presidente do Sindicato dos Servidores do Detran (Sindetran-DF).

Medeiros lembrou que pelo menos 300 mil veículos ainda estão sem o documento 2015 e, com a greve, os donos não poderão resolver essa situação. O Detran possui  1,3 mil servidores, divididos entre administrativo e fiscalização.

Em assembleia  no último domingo, os metroviários também decidiram entrar em greve. Segundo Quintino Sousa, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários  (SindMetrô-DF), a greve vai começar à 0h da terça-feira da próxima semana.

“Queremos que o governo cumpra o que foi acordado em abril. Além disso, reivindicamos que os aprovados no último concurso sejam convocados, porque o governo alega que não tem dinheiro para convocá-los. Porém, tem dinheiro para pagar servidores comissionados”, indagou.

Opinião da população agrada categorias

Os sindicatos avaliaram  de maneira positiva o resultado da pesquisa de opinião do JBr. em parceira com o instituto Exata OP. “O levantamento revela que a população tem a visão correta da situação. Os cidadãos estão se informando e enxergam os dois lados da situação. Por mais que a população seja prejudicada,   entende que é justo reivindicarmos”, observa Marli Rodrigues, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Sindsaúde-DF).

Para Marli, quanto mais o governo tenta pressionar  com a judicialização da greve, mais o movimento se fortalece. “Foi uma afronta   obrigar os servidores da Farmácia de Alto Custo a voltar  ao trabalho. Por causa disso, vamos radicalizar ainda mais. Nosso objetivo é fechar mais setores e até   quinta-feira. O governo terá uma surpresa desagradável, vamos parar a saúde”, ameaçou. Segundo ela, o Sindsaúde  já recorreu da decisão judicial que considerou a greve da saúde ilegal.

A Secretaria de Saúde  informou que todos os servidores das farmácias de Alto Custo da 102 Sul e de Ceilândia voltaram a trabalhar devido à   determinação da Justiça. Até a próxima sexta-feira, as duas unidades vão funcionar com horário ampliado, das 7h às 19h, além de abrir em caráter excepcional no sábado, das 7h às 18h, para regularizar a distribuição de medicamentos.  A greve dos enfermeiros também foi considerada ilegal ontem.

Volta ao trabalho

Em protesto contra a proposta apresentada pelo governo, cerca de 70 cirurgiões-dentistas  se reuniram, ontem, no Hemocentro, para doar sangue. “Damos nosso sangue todos os dias à Secretaria de Saúde. Por isso, resolvemos fazer esse ato. É uma forma de chamar a atenção do governo”, explicou Aroldo Pinheiro Neto, diretor do Sindicato dos Odontologistas  (SO-DF), que representa  500 servidores.

Mesmo sem aceitar a proposta do GDF, a categoria decidiu voltar ao trabalho  hoje, em razão do “compromisso com os cidadãos”. “Durante 15 dias, estaremos em estado de greve. Caso o governo não apresente uma proposta compatível com nossas reivindicações, voltaremos a parar”, disse Neto.  Sobre a pesquisa de opinião, o diretor do SO-DF avaliou que a população entende a situação  e vê que o governo não   se mostra  aberto a negociar.

Ano comprometido

Revoltados com a proposta do GDF, os servidores da Educação invadiram um dos prédios da secretaria,  na 607 Norte. Além de colar cartazes,   escreveram na entrada     a frase “Rollemberg, calote NÃO”. De acordo com o Sindicato dos Professores  (Sinpro-DF), quanto mais o governo prolongar as negociações, menor a chance de o ano letivo acabar neste ano.

O resultado da pesquisa de opinião agradou ao  sindicato. “O governo fala de legalidade, mas está cometendo atos de ilegalidade. A população está sendo prejudicada, mas sabe que a culpa não é dos servidores”, afirmou Cléber Soares, diretor do Sinpro-DF.

Efeito não surpreende

Para o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta, Autarquias, Fundações e Tribunal de Contas do Distrito Federal (Sindireta-DF), Ibrahim Yusef, as pessoas que ficam contra o movimento grevista dos servidores são as que não conhecem a realidade e as condições de trabalho dos servidores.

“Vi que, na pesquisa, muitas pessoas acham que o movimento é inútil ou abusivo, mas é porque elas não sabem em que condições somos obrigados a trabalhar. A greve está tendo o efeito esperado, que é incomodar. Mas o governo não tem feito nada para mudar essa situação”, destacou. Segundo Yusef, pelo menos 210 mil servidores filiados ao Sindireta-DF estão de braços cruzados.

“Má gestão”

Gutemberg Fialho, presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), acredita que a população é favorável aos servidores porque sabe que o caos na saúde não é de agora, mas, sim, da má gestão do governo. “Estamos atendendo nas emergências. Os serviços de urgência estão sendo feitos. Mas o caos existente na saúde tem a ver com a falta de gestão do governo e o não compromisso com os servidores”, afirmou.

Segundo André Luiz da Conceição, presidente do Sindicato dos Servidores e Empregados da Administração Direta, Fundacional, das Autarquias, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista do Distrito Federal (Sindser-DF), o resultado da pesquisa não causa espanto, tendo em vista a grande quantidade de servidores públicos existentes na capital.

“A cidade é repleta de servidores, então, a maioria da população entende a situação. Acho positivo o entendimento de que é necessário que o governo comece a ceder. O GDF precisa ver essa pesquisa para saber que está no caminho errado”, avaliou.

O presidente do Sindser-DF adiantou que, no dia 3 de novembro, os servidores da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) também vão aderir à greve.

Versão oficial

Em nota, o GDF informou que não comenta pesquisas de opinião. Em relação à greve, esclareceu que está aberto ao diálogo com os  sindicatos, e a única proposta que tem é a que foi apresentada na sexta-feira passada, que prevê o pagamento dos reajustes dos servidores a partir de outubro de 2016.

 Fonte: Jornal de Brasília

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