Da redação do Conectado ao Poder
Senador do PL adota discurso alinhado à oposição ao questionar operação do BRB

A movimentação do senador Izalci Lucas (PL-DF) para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) visando investigar a intenção do Banco de Brasília (BRB) de adquirir parte do Banco Master tem causado estranheza até mesmo entre aliados políticos. A iniciativa, anunciada nesta terça-feira (15), surge em um momento em que o PL caminha para consolidar sua aliança com o MDB e o PP no Distrito Federal, blocos que devem apoiar a pré-candidatura de Celina Leão (PP) ao Governo do DF, com respaldo do atual governador Ibaneis Rocha (MDB).
Izalci, que se apresenta como bolsonarista, mas até recentemente era tucano (PSDB), parece andar na contramão do grupo político ao qual pertence. Sua proposta de CPI repercute como um eco do discurso feito por lideranças da esquerda, como a deputada Erika Kokay (PT) e o ex-interventor do DF Ricardo Cappelli (PSB), ambos críticos da operação do BRB. Ao levantar suspeitas públicas sobre a compra — ainda não concretizada e sob análise do Banco Central —, o senador abre espaço para narrativas que historicamente serviram para fragilizar o banco.
Nos bastidores políticos, a leitura é que Izalci tenta se manter visível e viável para uma eventual candidatura ao GDF, mas sem o apoio declarado de Jair Bolsonaro. A preferência do ex-presidente, segundo aliados, tende a recair sobre Celina Leão, com quem Michele Bolsonaro mantém uma relação próxima. Sem esse endosso, Izalci adota um discurso mais ruidoso, buscando diferenciação dentro da própria base.
A negociação entre BRB e Banco Master, vale lembrar, ainda está em estágio preliminar. Não se trata de uma operação já efetivada, mas sim de uma proposta que será analisada sob critérios técnicos pelo Banco Central, como determina a Lei nº 4.595/1964, que regula o sistema financeiro nacional. O BC avaliará a solidez das instituições envolvidas, os riscos sistêmicos e a capacidade de gestão, além de assegurar a proteção aos clientes.
Desde 2019, o BRB vem demonstrando resultados expressivos, com expansão nacional e reconhecimento entre as instituições financeiras mais sólidas do país. A tentativa de politizar uma negociação empresarial com parâmetros legais claros é vista, por parte de especialistas e membros da base governista local, como um ato de oportunismo e desconhecimento técnico — ou má-fé deliberada.
Izalci, que é contador de formação, está afastado da atuação profissional há mais de duas décadas desde que ingressou na política. Ainda assim, esperava-se dele maior cuidado ao tratar de temas regulatórios complexos, como a aquisição entre bancos, que exige acompanhamento e autorização do Bacen.
A crítica mais recorrente nos corredores do Congresso é que a CPI, além de não ter base fática consistente, pode causar instabilidade desnecessária em um momento de crescimento do BRB. A proposta seria, portanto, um “desserviço” à população do DF.
Ao optar por reverberar falas da oposição, Izalci enfraquece a articulação do seu próprio grupo político e, de quebra, reforça uma polarização que tem pouco a ver com os reais interesses da população do Distrito Federal. Brasília, que tem no BRB um de seus patrimônios mais valorizados, merece um debate responsável — e não uma CPI com cheiro de palanque.





