Início Política Investidores apontam ajuste fiscal como essencial para Brasil atrair mais capital

Investidores apontam ajuste fiscal como essencial para Brasil atrair mais capital


Da redação

Investidores americanos e gestores de fundos alertaram durante a Brazil Week, realizada nesta semana em Nova York, que o Brasil precisa ajustar as contas públicas a partir de 2027, independentemente do resultado das eleições presidenciais de outubro. A preocupação central recai sobre o crescimento acelerado da dívida pública brasileira.

Durante as conversas, participantes do evento, incluindo banqueiros de instituições dos Estados Unidos, Brasil e outros países, destacaram que o ritmo da dívida pública é o principal obstáculo para a ampliação de investimentos no país. Eles avaliaram que o cenário internacional de instabilidade valoriza economias com fundamentos fiscais sólidos.

Segundo esses investidores, o equilíbrio das contas públicas no Brasil depende do fim das indexações salariais automáticas e da revisão dos mínimos constitucionais. Além disso, sugerem a necessidade de medidas para controlar o aumento das despesas com previdência social e pessoal, buscando maior sustentabilidade das finanças públicas.

De acordo com os gestores, um ajuste fiscal efetivo poderia permitir ao Brasil recuperar o chamado selo de bom pagador. Isso, conforme estimam, possibilitaria um salto no capital disponível para investimentos, de US$ 2 trilhões para US$ 50 trilhões, favorecendo o crescimento econômico e a geração de empregos e renda.

No curto prazo, entretanto, existe preocupação no mercado financeiro de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumente os gastos públicos para estimular a economia, especialmente às vésperas das eleições. O temor é que sejam usados recursos de fundos e bancos públicos, como o BNDES, para tais fins.

Atualmente, as discussões sobre equilíbrio fiscal ganham destaque diante das incertezas globais que impactam o câmbio e o apetite por investimentos internacionais. O tema fiscal permanece como prioridade entre os atores do mercado na avaliação do potencial de crescimento sustentável no Brasil.