Por Sandro Gianelli
Aliança entre governador do DF e ex-primeira-dama pode garantir, pela primeira vez, as duas vagas do Senado para a direita no Distrito Federal

O encontro entre o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta terça-feira (24/6), em Brasília, tem um simbolismo político que vai além das aparências. Mais do que uma confraternização no aniversário do bispo JB Carvalho, o encontro selou um movimento estratégico que pode redesenhar o cenário eleitoral de 2026: a possível dobradinha entre Ibaneis e Michelle Bolsonaro para o Senado.
Caso a parceria se concretize, o Distrito Federal poderá presenciar um feito inédito — a conquista das duas vagas do Senado pela direita, algo que, até então, nunca ocorreu. E essa possibilidade é concreta, sobretudo pela combinação política e eleitoral envolvida. Ibaneis é o atual detentor da máquina pública local, com um governo amplamente aprovado e reconhecido por uma gestão de entregas. Michelle, por sua vez, traz consigo o respaldo simbólico e ideológico do bolsonarismo, que continua a ser um dos principais polos de influência eleitoral na capital do país.
Juntos, Ibaneis e Michelle não apenas ampliam seu alcance entre os eleitores, como também criam um fenômeno de transferência de votos mútuo: o governador agrega votos institucionais, de gestão e de confiança; Michelle carrega o carisma de uma militância fiel e engajada. É uma fusão entre poder e popularidade, entre pragmatismo e ideologia. Um equacionamento raro e potente.
Além disso, a possível aliança tem um efeito colateral que favorece diretamente os dois: esvazia os demais nomes da direita local. Diferente da dupla, outros pré-candidatos do campo conservador enfrentam um problema comum — todos disputam o mesmo eleitorado bolsonarista, pulverizando suas chances. Já Michelle surge como nome natural do grupo, com a bênção do ex-presidente. Ibaneis, por sua vez, reforça a ideia de governabilidade e articulação.
A conversa entre o governador e Bolsonaro está “adiantada”, segundo o próprio Ibaneis. Isso indica não apenas disposição política, mas também organização antecipada.
A dobradinha também reforça uma guinada conservadora que se sustenta na capital federal, onde o bolsonarismo tem raízes fortes. Ao unir forças com Ibaneis, Michelle encontra um caminho viável para se eleger sem depender exclusivamente do recall presidencial, enquanto o governador reforça sua projeção nacional, com pretensões de se tornar voz influente no Senado.
A possível composição se encaixa perfeitamente no xadrez eleitoral: soma, agrega, fideliza e mobiliza. Em um cenário de divisão e ruído entre as correntes da direita, a união entre Ibaneis e Michelle aparece como um raro momento de convergência e pragmatismo político. Se a estratégia seguir adiante, o DF poderá escrever um novo capítulo em sua história política — e a direita, conquistar um domínio inédito no Senado.





