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ONU diz que ação dos EUA pode piorar situação de direitos humanos na Venezuela


Da redação

A operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, provocou forte reação da ONU. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou estar “profundamente preocupado” e alertou para o agravamento da situação no país, além da ameaça ao direito internacional. A porta-voz do organismo, Ravina Shamdasani, afirmou nesta terça-feira (16) em Genebra que a ação dos EUA “tornou todos os Estados menos seguros ao redor do mundo”.

Shamdasani também criticou a justificativa dos Estados Unidos, que usaram o histórico de violações de direitos humanos da Venezuela como argumento para a intervenção. “A responsabilização por violações de direitos humanos não pode ser alcançada por uma intervenção militar unilateral em desacordo com o direito internacional”, declarou. Segundo ela, a operação viola a soberania venezuelana e a Carta da ONU, prejudicando a segurança internacional.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU foi expulso da Venezuela em fevereiro de 2024, após denunciar a piora das violações no país. Shamdasani destacou temores de que “a instabilidade atual e a militarização adicional no país resultantes da intervenção dos EUA só piorem a situação”. No sábado, foi declarado Estado de emergência na Venezuela, restringindo a circulação de pessoas e suspendendo direitos de reunião e protesto.

Além da crise política, a ONU alerta que quase 8 milhões de venezuelanos – uma em cada quatro pessoas – necessitam de ajuda humanitária. Segundo o Escritório da ONU para Assuntos Humanitários (Ocha), cerca de US$ 600 milhões são necessários para o plano de resposta, que já beneficiou cerca de 2 milhões de pessoas em 2025.

Em relação aos refugiados, a agência Acnur afirma que quase 7,9 milhões de venezuelanos já deixaram o país, a maioria abrigando-se em países da América Latina e do Caribe. Até o momento, não há registro de fluxos migratórios massivos ligados à operação militar dos EUA, mas a Acnur segue monitorando a situação nas fronteiras.