Da redação
Especialistas independentes das Nações Unidas cobraram do governo de Uganda o respeito à participação pública sem violência ou discriminação, em meio a um “clima generalizado de medo” antes das eleições gerais marcadas para 15 de janeiro. Em nota publicada em Genebra, o grupo afirmou que o atual ambiente “não é propício à realização de eleições pacíficas” e citou repressão a opositores, sociedade civil e imprensa independente.
Os especialistas destacaram padrões preocupantes, semelhantes aos registrados nas eleições de 2021, quando houve ao menos 18 casos confirmados de desaparecimentos forçados. Segundo denúncias,, na preparação para o novo pleito, forças de segurança reprimiram principalmente comícios do partido opositor Plataforma de Unidade Nacional (NUP), usando agentes químicos, canhões de água e munição real, que resultaram em pelo menos uma morte confirmada.
Em 2025, relatos apontam 160 casos de desaparecimento forçado, envolvendo agentes estatais usando veículos não identificados para sequestrar opositores e mantê-los incomunicáveis em locais secretos. Outros 550 membros e apoiadores do NUP teriam sido presos por atividades políticas, e o governo não cumpriu decisão da Suprema Corte para transferir casos de tribunais militares para civis.
A liberdade de imprensa e os direitos digitais também estão sob ataque, segundo os especialistas. Em março, ao menos 32 jornalistas foram agredidos ou tiveram equipamentos danificados em uma eleição suplementar. Programas de rádio foram suspensos e credenciais de repórteres foram confiscadas por cobertura crítica. Também há relatos de silenciamento da dissidência online e vigilância digital ilegal de defensores dos direitos humanos.
O grupo pediu o fim imediato da violência, esclarecimentos sobre o paradeiro dos desaparecidos, cessação do uso desproporcional da força e o fim de bloqueios de internet e redes sociais. Os especialistas, que não são remunerados pela ONU, cobram que Uganda assegure eleições livres, transparentes e sem represálias em 2026.







