Da redação
Os Estados Unidos anunciaram, nesta quarta-feira (7), sua saída de 66 organismos internacionais, incluindo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e o Fundo Verde do Clima (GCF), principal mecanismo internacional de financiamento para ações climáticas. A decisão também envolve a retirada do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), ligado à ONU.
Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC, criticou fortemente a medida, classificando-a como um “gol contra colossal”. Ele afirmou que “os Estados Unidos foram fundamentais na criação da Convenção do Clima e do Acordo de Paris, ambos do interesse nacional”, e alertou que o retrocesso prejudicará a economia, os empregos e o padrão de vida dos norte-americanos, diante do agravamento dos desastres climáticos como incêndios, enchentes e secas.
Stiell destacou ainda que a decisão deve tornar a energia, alimentos, transporte e seguros mais caros para famílias e empresas nos EUA, uma vez que fontes renováveis se tornam mais baratas e os impactos das mudanças climáticas se intensificam sobre a infraestrutura, agricultura e negócios no país.
O Instituto Talanoa, ONG brasileira dedicada ao debate climático, avaliou que a saída dos EUA enfraquece a credibilidade americana, mas não define sozinha o destino da governança climática global. Para a presidente do instituto, Natalie Unterstell, o regime multilateral permanece em funcionamento, porém haverá impacto imediato no financiamento internacional para o clima.
Em justificativa oficial, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que “a nação não financiará mais organizações radicais como o GCF”, pois considera que o acesso à energia confiável e acessível é primordial para o crescimento econômico e redução da pobreza, alinhando a decisão às prioridades do governo Trump.






