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PT tenta usar crise na Venezuela contra a direita e reaviva divisões internas


Da redação

Nas últimas décadas, a direita brasileira tem alertado que o Brasil “pode virar uma Venezuela”, explorando a relação amistosa entre o PT e o regime chavista. O tema voltou ao centro do debate após a invasão dos Estados Unidos à Venezuela e a deposição de Nicolás Maduro. O PT, alvo das acusações, busca usar a crise a seu favor, apostando no discurso da soberania nacional contra o que chama de “entreguismo” da oposição. Ainda assim, o assunto expõe divisões internas no partido sobre democracia e autoritarismo.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder da sigla na Câmara, afirma: “O que vai pegar nas eleições é a bandeira da paz na América do Sul. A direita está atacando a democracia e defendendo uma intervenção aqui”. Lindbergh refere-se a uma montagem divulgada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), mostrando Lula sendo preso pelo Exército americano, o que motivou uma representação do PT à Procuradoria-Geral da República.

Com o avanço de investigações sobre suposta trama golpista, petistas citam o uso da política externa pela direita. Segundo a Polícia Federal, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teria pressionado Washington por sanções ao Brasil. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sugeriu no X uma operação americana contra o narcotráfico no Rio. Nas palavras de Lindbergh, “a direita se ilude achando que tem protagonismo com Trump, mas o presidente americano só está interessado numa política imperialista”.

Em resposta à crise venezuelana, PT, PSOL e MST criaram uma frente de solidariedade à população local, criticando a intervenção dos EUA. Já governadores de direita, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), comemoraram a ação e associaram Lula a Maduro, reavivando o slogan de que “o Brasil vai virar uma Venezuela”.

As divergências internas do PT persistem. O deputado Reimont (PT-RJ) reconhece a ditadura venezuelana, enquanto Valter Pomar rejeita tal rótulo, defendendo aproximação regional. Para a professora Mayra Goulart (UFRJ), a Venezuela serve hoje como símbolo de radicalidade no debate político brasileiro.