Da redação
O Ministério da Saúde rejeitou a proposta de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) da vacina contra a dengue apresentada pelo laboratório Bio-Manguinhos (Fiocruz) em parceria com a farmacêutica Takeda Pharma. Em nota, a pasta informou que o projeto não cumpriu requisitos mínimos para participação, pois não garantia acesso integral ao conhecimento de produção do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), tornando inviável a fabricação nacional.
Segundo o Ministério, não houve apresentação de recurso contra a decisão. A Takeda declarou à Folha que estava tecnicamente preparada e disposta a viabilizar a parceria, além de ressaltar que segue aberta ao diálogo com o governo para buscar soluções que ampliem o acesso à vacina e fortaleçam a capacidade de imunização do país.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Fiocruz no sábado (10), mas não obteve resposta. A vacina Qdenga, aplicada em duas doses, está atualmente disponível no SUS (Sistema Único de Saúde) para jovens de 10 a 14 anos. Com a produção nacional, seria possível ampliar a vacinação para outras faixas etárias.
Em junho de 2024, a Folha noticiou que a Fiocruz trabalhava “no limite” e dependia da construção de uma nova fábrica para atender à demanda do SUS pela vacina da dengue. Segundo a fundação, a fabricação do imunizante da Takeda resultaria na interrupção ou redução drástica da produção de outras vacinas importantes para o Programa Nacional de Imunizações e para as Agências das Nações Unidas.
A Fiocruz alertou que tal cenário poderia aumentar os casos da doença e até o número de óbitos devido à falta de vacinas. As informações constam no documento “Demandas do SUS e ausência de capacidade produtiva de Bio-Manguinhos/Fiocruz”, preparado em abril de 2024 e obtido pela Folha.






