Da redação
Agricultores franceses iniciaram nesta segunda-feira (12) uma nova semana de protestos contra o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. As manifestações se estendem por portos e rodovias, com previsão de um grande ato em Paris nesta terça-feira (13), mobilizando cerca de 250 tratores vindos de Hauts-de-France, segundo o dirigente sindical Benoît Raux.
Os protestos se intensificam com a aproximação da assinatura do acordo, marcada para o próximo sábado, no Paraguai. O porto de Le Havre, no noroeste, está com barreiras de pneus em chamas, troncos de árvores e tratores, e bloqueios foram registrados também em Bayonne e La Rochelle, ao sudoeste, além de operações na autoestrada A1, no norte, segundo a concessionária da via.
Durante inspeções realizadas nos caminhões frigoríficos que passam pelos portos, os agricultores afirmam ter encontrado produtos estrangeiros que não seguem as normas francesas, como farinha de outros países e sopas tailandesas. “Que a importação respeite nossos padrões de produção”, reivindica Justin Lemaître, dirigente sindical local.
A oposição ao acordo também é reforçada por bloqueios em instalações de exportação de grãos, como em Bayonne, e em áreas industriais próximas a Nantes. Franck Hembert, horticultor que protesta na A1, questiona: “É de se perguntar se o Estado francês ainda quer seus agricultores. Com ou sem o Mercosul, os agricultores já estão em grande aflição”.
Além da França, protestos semelhantes ocorrem na Itália, Polônia e Irlanda. O acordo, negociado por mais de 25 anos, ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu, votação prevista para depois de fevereiro. Uma grande concentração de agricultores está marcada para 20 de janeiro em Estrasburgo.






